Chico Rei opina: review de Game Of Thrones S07E06

Mais um famoso penúltimo episódio de Game Of Thrones, notável geralmente por tirar a gente do sério e nos fazer comentar os acontecimentos por meses. Mas… após mais um vazamento, dessa vez ocorrido na própria HBO, tivemos um episódio de altos e baixos.

A penúltima análise com spoiler, conspiração e crítica!

Eu nem sei por onde começar a falar, mas vamos lá! Em uma temporada marcada por vazamentos antes mesmo de sua estreia, o penúltimo – e geralmente bombástico – episódio da temporada vazou e dessa vez a responsável foi a própria HBO (Espanha) que acabou exibindo o episódio errado, por engano.

Mais uma vez com os ânimos atiçados, milhões de pessoas assistiram o episódio antes e alguns, como eu, resolveram a esperar e acabaram sendo bombardeados com alguns spoilers.
Aconteceu de quase tudo um pouco e em geral ficamos surpresxs por um lado e vimos também umas coisinhas bem previsíveis.

 

Em briga de dragão e leão

Não é segredo pra ninguém que desde que Daenerys pisou em Westeros a química mágica entre ela e Tyrion sofreu algumas baixas. Vários motivos foram esclarecidos pra gente na própria série: o anão viu a destruição da Mãe dos Dragões finalmente atingir sua terra natal e pareceu um pouco impressionado (demais), por outro lado, Dany viu os planos de sua tão confiável Mão falharem repetidamente e claro, novos aliados se juntaram à dupla deixando a rainha ainda mais confusa.

O fato é que essa temporada “emburreceu” um pouco o Tyrion, não que os planos não fossem bons, ao contrário! Quando ele nos explica os passos na Mesa Pintada, achamos geniais e que a guerra está ganha. O que ninguém contava era com a astúcia dos Lannister sem Tywin, Cersei parece ter aprendido com o pai e Jaime com a guerra. Falar que é confortável ver Tyrion errando frequentemente não dá e ver Daenerys jogando indiretas a respeito da sua lealdade, incomoda mais ainda, apesar de ser compreensível.

Mas vamos ao papo do episódio, é a primeira vez que vemos o pequeno Lannister questionar sua rainha a respeito de sua morte. No ponto de vista dele, algo muito adequado de se pensar no momento, tendo em vista que na própria batalha da Campina a Mãe de Dragões esteve muito vulnerável. E como o próprio Jaime disse, a morte dela acabaria com a guerra e deixaria Cersei reinar plena (ou não). O próprio Tyrion relembra a ela sua fala sobre não poder ter filhos e parece estar – na minha visão – desesperado pra ver o reino da irmã ruir, e como ele mesmo diz, Daenerys parece ser a única capaz de tirar Cersei do trono.

Já para Dany, a preocupação de Tyrion soou ambiciosa, principalmente pelas desconfianças que ela já carrega consigo. Certa de que conta com a proteção de seus dragões, a Khaleesi garante que sucessão é assunto pra quando ela carregar uma coroa. Assunto encerrado, aparentemente.
Mas fica a pergunta: quem fica no lugar dela já que supostamente Dany não pode ter filhos?

Ps.: o papo começa com Tyrion dando uma de “meu amigo quer ficar com você” quando Daenerys coloca Jon na mesma lista de Khal Drogo e Daario Naharis. Se tinha necessidade? Questionável.

 

Problemas na matilha

Me segura porque o conflito entre Arya e Sansa me tirou do sério por diversos motivos. Quero a cabeça do Mindinho na minha mesa agora!
Botando o dedo na ferida mesmo, eu adoro a Arya. Sempre foi uma das minhas personagens preferidas, sempre admirei tudo que diz respeito a ela, mas sejamos sinceras: o ego da garota subiu significativamente após as mortes adicionadas ao seu currículo. É compreensível que ela carregue consigo a imagem da Sansa que viu pela última vez láaa na primeira temporada: ingênua e seduzida pela corte. Mas assim como a Arya é outra, Sansa também.

A postura hostil e desconfiada da garota me soa exagerada, ela acusa a irmã de ter a intenção de trair Jon por uma carta que a velha Sansa escreveu. Depois de tantos desencontros e perrengues, é injusto que Arya se torne acusatória em relação a única família que lhe resta. E Sansa tem razão em diversos aspectos nessa briga, ela conquistou muita coisa sozinha e sobreviveu aos horrores de ser vendida e casada com o homem mais sádico dos Sete Reinos. Alguém ainda acha que Sansa é a mesma? Sinceramente.

A discussão torna Sansa paranoica e claro que ela procura Mindinho, que, por sua vez, incita o fato de que Arya está contra a irmã e pinta a menina como uma ameaça. A já amedrontada Sansa morde a isca, mas ao invés de manter Brienne por perto, envia a moça para Porto Real para se reunir com Cersei. É aí que meu cérebro se dividiu. Sansa enviou Brienne para que ela não interferisse no conflito com Arya? Ou ela simplesmente teve medo de deixar a irmã só em Winterfell? Ou ainda, a razão que ela mesma cita: o medo de se tornar refém mais uma vez. O que soa até óbvio, se pensarmos em um “convite” da rainha Lannister.

Quando Sansa encontra os rostos de Arya, ah que momento massa de acompanhar! Inclusive, Sophie Turner não para de evoluir como atriz. Mas esse foi o momento de embate que mais me desagradou: ver uma Arya arrogante fazendo a irmã, sangue do seu sangue, sentir a própria vida ameaçada. Entendo que elas sofrerem conflitos de opinião e visão, claro, faz todo o sentido. Mas essa postura ameaçadora e exagerada da Arya foge da essência sobrevivente da personagem e me deixa bem incomodada. Espero que quando elas perceberem que estão sendo manipuladas, o Mindinho morra lindamente em suas mãos, é o mínimo.
CADÊ BRAN STARK pra resolver essa treta?

 

Mortos, vivos e dragões

Agora vamos à batalha Além da Muralha e todos os seus pequenos grandes detalhes. Como uma sucessão de pequenos deslizes, eu já começo dizendo que esperava muito mais. Let’s go.

Começamos com nosso grupo carismático – acompanhado de figurantes prontos pra morrer – trocando ideia na neve. Gendry ainda indignado por ter sido entregue por Thoros e seus amigos para ser morto por Melisandre e Cão de Caça, cortante como sempre, encerrando o assunto.

Falando em Cão, o diálogo com Tormund foi o melhor do episódio! Você conhece Brienne of Tarth, @? Ela mesma, que quase deu um fim à vida do cão e é novo amor da vida do ruivão. Os dois foram destaque sem dúvida – mesmo que se morressem dariam mais peso pra dimensão dessa batalha. Fico dividida: estou feliz que tenham sobrevivido, mas a morte de um deles poderia ter trazido mais autenticidade para o perigo que correram. Aparentemente não morre mais gente importante em Game Of Thrones. RIP, Thoros. Falando nisso, só eu não curti o efeito do urso morto-vivo?

Jorah e Jon, Jon e Jorah. Particularmente uma cena coerente e muito agradável. Jeor Mormont, Lorde Comandante da Patrulha quando Jon juntou e paizão do Jorah, deu a Jon a Garralonga, espada de aço valiriano que o moço exibe por aí e mata uns White Wakers de vez em quando. Acontece que essa beleza de arma foi passada de geração em geração na família Mormont, o Lorde Comandante presenteou Jon porque acredita que o filho exilado Jorah nunca retornaria. Foi nobre da parte do Rei do Norte querer devolver a espada à Casa Mormont e mais bacana ainda a recusa de Jorah em respeito a escolha do pai em dá-la a Jon. E deu pra reparar que o Jon ficou bem aliviado de manter a espada. Um pequeno belo acerto do roteiro.

Mas precisamos falar de assuntos menos agradáveis, pois é. Quem lê as críticas por aqui já deve ter visto que eu odiei real a ideia de ir buscar um morto-vivo pra mostrar pra Cersei. Era óbvio que ia dar treta, mas claro que prometia grandes sequências também, então pensamos: vai, galera!

E eles foram e por um tempo pareceu que seria bacana. Naquele primeiro encontro com meia dúzia de mortos-vivos e um White Walker (parênteses para mata o azul, morrem os outros que não tinha rolado em Hardhome, mas beleza). A espada de fogo de Beric em ação também foi massa de ver. Mas aí a bagunça tava feita: chegaram algumas centenas de milhares de zumbizinhos pra ferrar os caras. E eles fazem o quê? Enviam o Barry Gendry Allen para pedir reforços desarmado. Repito de-sar-ma-do, caso não tenha ficado claro. E ele demora o que me pareceu pelo claro/escuro dos migos ilhados, uns 2 dias. O bastardo quase morre e envia um corvo pra Pedra do Dragão, um corvo a jato, no caso. Essas ferramentas de aceleração de plot estão cada vez mais exageradas e inverossímeis, tão unlike Game Of Thrones. Nem vou comentar a rapidez com que Daenerys chega, enfim.

Então vemos eles correndo no gelo que cede e os deixa ~convenientemente~ ilhados e protegidos por algum tempo, enquanto o exército dos Mortos cada vez mais numeroso os cerca. Por que um exército tão grande, com direito a generais gelados e Rei da Noite, perdeu tempo com meia dúzia de homens que morreriam de frio de qualquer jeito? Jamais saberemos. O fato é que eles ficaram lá ao milhares cercando o bonde e o esperto Cão de Caça ficou tacando pedrinhas e desencadeando o ataque -.-

Daí a gente fica com o coração na mão pelo Tormund e os roteiristas o poupam e matam dois ou três figurantes. Beleza, o caos se instaura e quando fica claro que todo mundo vai morrer… Chega ela, Daniela, digo, Daenerys, montando Drogon e trazendo pela primeira vez na temporada Rhaegal e Viserion, seus outros dois filhos. O choque e a determinação da Khaleesi naqueles momentos foram propícios, ela estende a mão a Jon; que envia os companheiros e fica pra enfrentar sozinho ~facepalm~ o que vier.

Nosso querido Rei da Noite mira olimpicamente não no maior dragão, veja bem, e acerta em cheio Viserion. Foi fácil demais e definitivo demais. E o que tinha naquela lança, afinal? RIP, Viserion. Falando nisso, confirmadíssima a teoria do Dragão de Gelo. Tremi dos pés à cabeça quando o Rei da Noite transformou o Viserion, aquele olho azul, migxs. Socorro, vai ter dragão contra dragão sim. E isso, certamente, vai ser incrível e talvez algo que esperamos inconscientemente durante muito tempo.
Um ps pra de onde pra lá da muralha no que em Minas chamamos de cafundó do Judas, eles iam arrumar uma corrente daquele tamanho???? Gente ???? É muito triste ver esse descuido com detalhes em uma série como essa.

Não vou negar que gostei de ver o dragão caindo e o efeito do sangue, achei muito apropriado Daenerys perder um filho para perceber a gravidade daquela guerra tão falada por Jon Snow. E claro, os efeitos especiais impecáveis dos dragões. Pensando com calma, não é atoa que Dany é chamada de Mãe de Dragões, ela perde um deles e tem uma reação, que na minha humilde opinião, foi mansa demais. Cadê a raiva do sangue do dragão? A vontade de exterminar o Rei da Noite ali mesmo? “Ah, Karol, ela meteu o pé porque ficou com medo de perder mais um, né?”. Justo! Mas achei a reação dela ainda assim, menos emocional do que eu esperava.

Jon ficou lá abandonado na neve. Por quê? Jamais saberemos. Quando tava tudo dando ruim – seria péssimo plot Jon morrer de novo – eis que surge o salvador da pátria, tio Benjen! Mais uma vez aparece do nada, salva um “sobrinho” e morre. E teve o clássico: Uncle Benjen! Mais uma conveniência de roteiro, mas essa eu vou chamar de perdoável.

No fim, a batalha mais desnecessariamente necessária cumpriu seu propósito: o morto-vivo foi ensacado e já está a caminho do sul. A que preço? A princípio SÓ um dragão. O nosso esquadrão carismático teve apenas uma baixa, conveniente. E mais uma vez um mulherão foi lá e salvou a pátria pro Jon Snow.
Onde que foi parar o migo Rhaegal?

Can I call you Dany?

Vamos para aquele momento que em todo o episódio só inspira amor ou ódio, parece que não existe meio termo quando o assunto é Jonerys. O que rolou? Rolou muita coisa, gente.

Primeiro, Daenerys ficou esperando em Atalaialeste preocupadíssima. A princípio, quando vi Drogon voando chateado achei que eles estavam esperando Rhaegal, mas não galera, ela esperava era Jon Snow. O Jorah já tava chamando pra ir embora até que Jon chega cavalgando bem mal e a Khaleesi respira aliviada. Aí amores, aí que vem a primeira forçação Jonerys pra mim.

Vamos lá, Dany acabou de perder um dragão e está entristecida, esperando o todo ferido Jon Snow acordar. Assim que ele abre os olhos a primeira coisa que diz é: eu sinto muito. E isso era o mínimo que Jon deveria dizer, o diálogo entre eles é coerente, naquela tensão pós-batalha.O Rei do Norte fica grato por Daenerys ir até o norte salvá-los sem pestanejar e aceitar a guerra dele, é o momento que ele reconhece a Khaleesi como Rainha dos Sete Reinos. Só não ajoelhou porque não tinha jeito mesmo. E ela vê nele um líder que se arrisca na linha frente pra salvar seu povo. Ali a confiança tá mútua já e claramente a rainha reparou nas cicatrizes nunca plenamente cicatrizadas da morte de Jon.

Nada disso foi problema pra mim, ambos estavam em um momento emocional e mais do que nunca diante do perigo palpável que os White Walkers representam. O que não foi legal? O Jon que é todo formal soltar um “Dany”, eu ri na hora, mais por ter sido realmente cômico do que por outra razão. Algumas pessoas reclamaram deles tocarem as mãos um do outro e Jon não soltar, galera, não foi segredo pra ninguém que o cara tava afim dela faz uns 5 episódios. Poderia ter sido menos forçada essa cena em especial, mas o casal como um todo, não.
Sobre Jonerys: é inevitável, faz sentido e vai rolar.

 

Veredito

Pessoal, eu particularmente tinha expectativas gigantescas para esse penúltimo episódio e apesar de ter amado os efeitos, muitos diálogos interessantes, o roteiro continua desapontando. Até agora tem rolado muita conveniência de roteiro e furos que não estamos acostumados a ver em uma série como Game Of Thrones, alguns personagens sendo mal-aproveitados e linhas temporais confusas.

Foi um bom episódio em geral, mas poderia ter sido muito mais interessante em termos de roteiro. Vamo seguir esperando o encontro Cersei, Jon e Daenerys, plus Tyrion e Jaime no próximo episódio. Além do ultimate entre Sansa e Arya, plus Mindinho. E mais!

Se liga no teaser e nossos produtinhos perfeitos pra usar nos dominGoTs e na vida.