Colômbia: o risco é querer ficar!

Largando a hipocrisia de lado, se alguém perguntasse o que me vinha à cabeça sobre Colômbia, a resposta na ponta da língua falaria sobre as FARC, cocaína e zefini! Mas por aqui bate um coração que, com todo o respeito aos tupiniquins, adora o risco de um programa de índio, sempre na esperança de surpresas alegres.

Com aquele preconceito sobre a terra de Gabriel García Márquez, tomei voo pra lá. Fui primeiro parar em Cartagena das Índias, que fica ao norte de nosso continente, no mar do Caribe. Já era noite, não fazia 20 minutos que andava pelas ruas de paralelepípedo e um homem, sorrateiramente, falou baixinho qualquer coisa e com a cabeça acenei que não havia entendido meia palavra. Ele fez um gesto como se cheirando alguma coisa, me deu um sorriso maroto e… Pronto! Meu preconceito estava virando um conceito. Cheguei à terra da cocaína e da violência, que bobeira eu ali!

Bobeira mesmo foi dormir aquela noite com essas caraminholas na cabeça. O que me esperava, além de segurança, era muita música, paz e o segundo país mais biodiverso do planeta, sem falar em simpatia pra dar e vender. Cartagena é uma cidade supercharmosa, cheia de casinhas com jardins suspensos e ruas de pedra que deságuam no mar caribenho. As cores daquele mar dão uma ciumeira danada em qualquer camiseta nossa, viu? É tanta cor que foto nenhuma é capaz de contar quantos tons de azul e verde são possíveis de ver a olho nu.

Playa Blanca e o Centro Histórico de Cartagena

As cores do mar competem com as frutas típicas locais. Em cada rua sempre há uma barraquinha com um vendedor simpático, prontinho para te dar uma prova. Pelas vielas, passeios de bicicleta com direito àqueles sininhos, que pedem uma onomatopeia: “triiiiim triiiiim”! Cartagena ainda é ponto de partida para várias ilhas que namoram de perto a cidade, inteirinha amuralhada, desde o séc. XVI, ou para El Toturno, um vulcão de lama que te espera para um mergulho ou simplesmente para ganhar uma massagem por pouco mais de um real.

Com minha falta de talento com as câmeras, o clique encontrei na interwebs. Mas a realidade é essa mesmo: simpatia e sabor pelas esquinas

Larguei aquela beleza no mar do Caribe e, antes de viajar para Bogotá, passei por Cuba, o que me deu uma saudade danada dessa tal liberdade. Já coloquei em palavras meus sentimentos pela ilha: Ainda não é hora de conhecer Cuba.

Chegar novamente à Colômbia era como chegar à casa de mãe e ter a tranquilidade de respirar até seu corpo “esmolecer”, sabe? Na capital, a regra colombiana era seguida à risca: gente com um sorriso um tanto largo no rosto. Fiquei hospedado no centro histórico bogotano, ponto de partida para um passeio de bicicleta por toda zona turística, guiado por um norte-americano que vive há anos pedalando entre as ruas de pedra para apresentar alguns lugares “chéveres” – gíria local para algo bacana –, como o estádio de touradas La Santa Maria e a feira de frutas de lá.

Feira que por sinal é cheia de surpresas, como uma iguaria que a fraca memória não me permite recordar o nome, mas o sabor não sai da cachola: por fora manga e por dentro kiwi! Só não pude me esbaldar dela porque algumas dezenas de barraquinhas ainda me esperavam com outros sabores nunca antes saboreados.

Mercado de Bogotá e seus novos sabores

A praça do centro histórico de Bogotá: paz e tranquilidade

Do centro histórico também partia um ônibus com hora marcada para a casa noturna mais excêntrica que estes pés já pisaram. A decoração, uma mistura de kitsch e barroco, dava lugar a imagens religiosas ao lado de litros de cerveja, abaixo de máscaras indígenas, misturados com sinos e flores. Realmente, por mais que eu escrevesse, não conseguiria melhorar a descrição anterior: nenhuma escrita é capaz de definir perfeitamente o “Andrés carne de res”.

Porém, em meio a essa estética heterogênea, a opinião acaba por ser bem homogênea: quem passa por Bogotá tem que dar um pulo no “Andrés” e provar a comida temperada com muitas “salsas” – e nesse caso estou falando dos dois temperos da noite, o de comer e o de dançar.

Existem vários Andrés. O mais tradicional é o Andrés Chía (foto)

Se embaixo da lua a capital é agitada, sob o sol a calmaria toma conta. Caminhando foi possível bater o ponto nos principais museus da cidade. Entre eles, dois dos mais formidáveis que já conheci. As formas rechonchudas de Botero estão reunidas em mais de 100 obras, em uma casinha simpática, no centro histórico da cidade. Bem pertinho dali, o Museu do Ouro reúne o maior acervo pré-colombiano das Américas, contando com mais de quatro mil peças expostas em uma coletânea de 40 mil. É ouro “pra mais de metro” e pra madame nenhuma botar defeito!

Na saída de Bogotá, tive a sorte de decolar bem pertinho do El Campín, principal estádio da cidade, no momento exato em que acontecia a final do Campeonato Colombiano, uma imagem bacaníssima só para aumentar a pontinha de saudade que já batia por aqui. Definitivamente, na Colômbia o único risco é querer ficar!

* Este texto foi publicado originalmente em nossa primeira edição da Chicundum, a revista-poster da Chico Rei que já caminha para a sua terceira edição 😉 Para quem quiser comprar a segunda edição pela quantia gigante de 1 (um) real, clica Aqui.

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  • Olaa tudo bem??
    Nossa eu acabei de voltar da Colombia e lendo seu post eu to aqui de coraçao apertado de saudades de la!!
    Eu amei Cartagena eh linda de mais e amei cada dia q passei la!
    Morei por dois meses na Colombia e quanto tive q voltar sabia que deixava para tras uma segunda casa <33
    Realmente o unico risco é nao querer voltar!
    bjos

    • Bruno Imbrizi

      Pois não é o único risco, Lih? Já estou pensando em uma volta pra lá, agora para conhecer Santander, dizem que é super bacana para esportes radicais 😉