28 dias 06 horas 42 minutos e 12 segundos

Essa foi a contagem regressiva de Donnie Darko de quanto faltava para o fim dos tempos – ao menos para ele. Donnie Darko está longe de ser um filme que fala sobre o fim do mundo, o longa na verdade, faz críticas sobre as formas sistêmicas que existem em nossa sociedade através do gancho gerado pelo livro: A filosofia da viagem no tempo. Datado de outubro de 1944 e escrito por Roberta Sparrow (uma freira que passou parte de sua vida enclausurada em um convento) que enxergou muito além de seu tempo – já que, seus conceitos vāo ser alvo de estudo 44 anos depois com o lançamento do livro de Stephen Hawking: Uma breve história no tempo.

Então, já é bom preparar o fôlego para os mistérios que cercam essa narrativa!

Como recordar é viver é válido a gente dar uma repassada pela história do filme, que pede sem sombra de dúvidas, para ser visto mais de uma vez. Tudo começa com Donnie esticado no chão, em cima de uma colina, tirando um cochilo por causa do seu sonambulismo. Ele acorda e começa a observar um vale, logo depois dessa cena o espectador é introduzido na vida do garoto que tem uma relação conturbada com a māe, na escola e no que diz respeito a sua relação com o mundo.

Além de sofrer com o sonambulismo, o personagem principal apresenta traços de esquizofrenia, que logo são evidenciados em suas sessões de terapia e na primeira cena contrastante do longa: o jovem sai de sua cama, anda em direção a um campo de golfe e encontra um “amigo” que chama de Frank, outro personagem que tem como figurino uma fantasia de coelho macabra e entoa o tempo que Donnie ainda tem antes do mundo acabar:

28 dias 06 horas 42 minutos e 12 segundos

Até esse momento a gente se vê muito curioso e um tanto quanto perdido na narrativa, mas o tom de mistério começa a surgir quando descobrimos que Donnie só não morreu atingido por uma turbina de avião que entrou pelo teto do seu quarto por causa do seu bate-papo com Frank.

Assim, somos pouco a pouco introduzidos nas ideias que o livro “A filosofia da viagem no tempo” abarca:

  • O livro da filosofia da viagem no tempo afirma que o tempo é geralmente um ambiente estável, mas em qualquer momento, a quarta dimensão pode ser corrompida. O universo tangente é criado quando isso acontece (instável colapsa sobre si mesmo); quando o universo tangente entra em colapso podem surgir os buracos de minhoca, os buracos negros, que são capazes de destruir o nosso universo primário;
  • A confusão que acontece no dia 02 de outubro que gera um universo tangente: sempre que um universo tangente é criado um artefato aparece espontaneamente em algum lugar (quarto de Donnie).

O roteiro singular de Kelly propõe uma imersão as críticas sociais tendo como pano de fundo a diversidade e enigmas da quarta dimensão. O longa metragem salta entre as plataformas da inovação e da crítica e no final nos abre os olhos para algumas questões:

1. Como a conservação de velhas idéias- mostradas através da aula da professora de educação física-que afirma: os seres humanos são constituídos por dois sentimentos AMOR x MEDO pode cegar os indivíduos;

2. Sentido e significado da vida;

3. Como nossas ações (por menores ou maiores que sejam) interferem no nosso futuro;

4. Nos faz refletir sobre a viagem no tempo e a possibilidade de sua existência;

5. Faz críticas aos “modelos” que existem dentro da vida familiar;

6. O final evidencia o sacrifício do anti-herói;

 

Os vinte e oito dias

Os vinte e oito dias não existiram no universo primário mas alguns personagens parecem sentir as experiências do universo tangente, é possível perceber isso em algumas cenas:

Frank tocando seu rosto;

Choro de Jim Cunningham;

Gretchen acenando para a māe de Donnie.