Leia Mulheres: Conhecendo o projeto e sua importância.

Precisamos conversar sobre a mulher na literatura. Quem acompanha o blog deve ter visto o post que fiz sobre 10 autores clássicos pra ler antes de morrer e talvez tenha reparado que apenas duas mulheres estavam na lista. Quando esse post saiu, uma moça comentou no facebook sobre a falta de mulheres na minha recomendação, confesso tristemente que eu não tinha percebido e fiquei chateada ao constatar que era verdade. Nossa cultura não favorece a mulher em nenhum aspecto e eu, mulher, fazendo um texto sobre autores importantes não valorizei autoras.

Esse fato me deu o start para pensar no papel da mulher na literatura a nível global, precisamos nos provocar. Quantos livros escritos por mulheres você já leu durante e sua vida? Ou recentemente? Ou que te indicaram? Quantas personagens femininas fortes fazem parte da sua história? O Leia Mulheres vem pra mudar suas respostas.

Malala

Infelizmente, apesar de o número de leitoras ser maior do que o de leitores (59% das pessoas que leem frequentemente no Brasil são mulheres!), no campo da produção literária essa realidade ainda é brutalmente oposta. Um exemplo simples é a Academia Brasileira de Letras que conta com 40 membros, dentre eles apenas 5 mulheres.

Em 2014 a escritora Joanna Walsh decidiu levantar a bandeira feminina no campo da literatura com a campanha #ReadWomen2014, felizmente essa campanha vem se propagando pelo mundo e ajudando jovens leitoras e escritoras. No Brasil a campanha ganhou forma com a iniciativa Leia Mulheres, dirigida por Juliana Gomes, Juliana Leuenroth e Michelle Henriques.

Eu conversei com elas por e-mail a fim de esclarecer mais sobre o projeto e sua importância. A Juliana Gomes teve a ideia do projeto a partir da hashtag #ReadWomen que comentamos. Ela queria tornar a ideia um pouco mais prática e decidiu fazer um clube de leitura dentro do tema. Então convidou a Juliana Leuenroth e a Michelle Henriques para serem mediadoras, e assim começou o primeiro clube, em São Paulo.

Hoje os clubes estão presentes em mais de 40 cidades brasileiras, em parcerias com livrarias e principalmente em contato direto com as autoras. Existem gestoras e mediadoras em todas as cidades (você confere a lista aqui).

Joanna Walsh

Mas claro que um projeto desses não é fácil de se manter. Elas comentam: “Infelizmente muitas das autoras que gostaríamos de ler estão com edições esgotadas (como muitas autoras brasileiras do século passado) e também escritoras latino-americanas e africanas, que sequer foram publicadas no Brasil.”

Aí reside a importância desse tipo de projeto e que a gente abra os olhos para uma frase que as meninas disseram e me marcou bastante. Segundo elas, é a motivação que possuem para continuar:

“Queremos continuar divulgando a literatura produzida por mulheres, e acabar com o preconceito e com a ideia da literatura “feminina” ou “de mulherzinha”. Mulheres produzem todo tipo de escrita e merecem ser divulgadas entre todos os nomes da literatura.”

Por isso todas são relevantes no levante desta bandeira, e vale lembrar que, não importa de que assunto estamos falando, mulheres devem sempre ter em mente que o mundo é nosso e podemos fazer o que quisermos. As meninas veem o futuro com otimismo, a perspectiva de mulheres se unindo e criando novos projetos como esse fortalece ainda mais a literatura.

J. K. Rowling

Por fim, deixo o recado do Leia Mulheres para leitoras e escritoras:

“Por favor, não desanimem e nem desistam da literatura. Procurem sempre outras escritoras e leitoras, troquem ideias, leiam juntas, produzam juntas. A literatura não deve ser inacessível, deve chegar a todos.”

Contem pra mim que autoras vocês gostam, livros escritos por mulheres e personagens que admiram! Pra mim a maior de todas é J. K. Rowling, que escreveu sob uma assinatura que deixava o gênero invisível porque segundo a editora, “meninos não leriam se soubessem que a autora era uma mulher.”

Hoje fica essa mensagem e peço pra vocês fazerem o mesmo exame de consciência que eu fiz, vamos ler mulheres!