Literatura Brasileira: cinco obras e autores que nos fazem refletir

“Um país se faz com homens e livros”, disse uma vez o nosso Monteiro Lobato. A verdade nessa frase é incontestável já que a literatura tem o poder de nos transportar para outros lugares, em diferentes tempos, com diversas pessoas e histórias. E é assim que ela vai nos moldando e identificando cada vez mais as características e questões dos seres humanos.

Encaramos nossas fantasias, pulamos de cabeça no desconhecido e abrimos o coração para aprender sobre cada palavra disposta no livro de escolha do autor. Essa lista é destinada aos apaixonados em desvendar diferentes obras com uma pitadinha de brasilidade em cada uma delas, recheadas de questões humanas.

Prepare o bloco de anotações e vá se preparando para dar uma conferida nas obras mais interessantes de cinco autores que marcaram a história da literatura através de sua sensibilidade por esse Brasil a fora!

1. Joāo Guimarāes Rosa – Grande Sertāo Veredas

Guimarāes Rosa nasceu em junho, no ano de 1908, na cidade de Cordisburgo, Minas Gerais. Desde a infância se interessou por línguas e em 1929 começou a escrever seus primeiros contos. O livro escolhido foi “Grande Sertao Veredas” por suas características inovadoras (um exemplo delas é a ausência de capítulos). A história é contada em primeira pessoa através da presença de Riobaldo, protagonista do enredo.

Aos poucos ele vai apresentando sua vida: um “ex-jagunço”, que depois de passar por muitas experiências resolve se mudar para fazenda e passar seus dias com tranquilidade. A narrativa tem como foco o romance com Diadorim, filha de um fazendeiro-jagunço que se traveste para transitar de igual para igual em meio aos homens. É através desse cenário que Grande Sertão Veredas conversa com o leitor sobre a relação que se estabelece entre o ser humano e o mundo- que é pra lá de complexa. Os diálogos, as personagens e o próprio sertão com uma conotação de mundo levantam questionamentos sobre tudo que tange a relação do existencial com os espaços e tudo que eles representam.

2. Caio Fernando Abreu – Morangos Mofados

Um escritor de traços marcantes em sua escrita, formado em letras e artes cênicas na Federal do Rio Grande do Sul (estado em que nasceu, no ano de 1948); escreveu “Morangos Mofados” no ano de 1982. Os vários contos do livro relatam sobre o que há de mais verdadeiro no indivíduo -mesmo que não tāo belo assim.

As reflexões vāo se construindo através de vários pequenos enredos durante a narrativa, que ocorrem em um cenário de democratização do país em consequência do fim da ditadura militar. É possível enxergar o ser humano vivenciando sentimentos que são provenientes de situações como a solidão, o desejo insaciável por algo/alguém e a própria dor. Os neologismos, os temas eróticos, as repetições e o uso incomum da pontuação promovem um ritmo diferente e instigam o leitor a embarcar ainda mais nos acontecimentos que vāo sendo propostos.

A poesia do livro está justamente no paradoxo entre a significação do belo e do feio em um espaço no tempo que era constituído por pessoas vítimas de uma sociedade de massa, manipuladas pela industria cultural e a pós – modernidade!

3. Paulo Leminski – Caprichos e Relaxos

Curitibano, nascido no ano de 1944, Leminski foi um consagrado escritor e poeta da literatura brasileira. Suas poesias concretas permitem que as palavras adquiram formas através de seu fazer criativo: reflete sobre o mais simples, que não é tāo simples assim, do cotidiano. Em 83 lança o livro “Caprichos e Relaxos” que é um apanhado geral de todos os seus poemas – alguns inéditos outros publicados em edições independentes.

4. Machado de Assis – Memórias Póstumas de Brás Cubas

Joaquim Maria Machado de Assis foi filho de um pintor e de uma empregada doméstica e tinha conhecimento da alta até a baixa sociedade brasileira. Nasceu no ano de 1839, e com 42 anos publica o livro “Memórias Póstumas de Brás Cubas” que nada mais é do que uma subversão as formas de romance do século XIX e atende a um objetivo principal: descrever de forma bruta e honesta sobre o funcionamento da sociedade da época.

O aspecto mais interessante do livro é que o narrador está morto e vai, aos poucos, fazendo a análise de várias situações de extrema futilidade que foram se passando durante a sua vida. Brás Cubas vivo é uma personagem da narrativa que vive de aparências, se relacionando de forma raza com todos que o cercam. Ele percebe que a sociedade se fundamenta no jogo entre essência e aparência, e essa questão esbarra no humanitismo: afirma que toda atitude humana é justificável independente de ser boa ou má. Já Brás morto, como narrador, não se inibe em contestar os acontecimentos que se desenrolaram durante o seu percurso e ceticamente conclui que a espécie humana deve acabar (herdeiros da miséria).