O raio caiu duas vezes no mesmo saco

Porque a força mística que rege o mundo há de recompensar os para-raios de maluco. É tu, com esse padrão astral diferenciado, rearranjando moléculas numa sina: mesmo você se esforçando em repelir, atrai os doidão tudo pra sua vida. Num dá pra fugir de maluco não! É tipo Zumbilândia: corte a cabeça de um e aparece uns catorze do nada, querendo comer-lhe o cérebro… Ou escutar uma palavra de conforto, ganhar um abraço revigorante, ou qualquer gesto que reinicie seus aplicativos – travados pela incapacidade dos outros em compreender o jeitinho de ser do maluco.

Se por um acaso alguém perdido te achar, por que não ajudá-lo a se encontrar? Não encare como karma e, sim, como um dom. “Ninguém tem paciência comigo” – Num é isso não Chavinho! Saia da zona de conforto pra tecer conclusões, indo além da carência dos incompreendidos e do excesso de calma dos para-raios de maluco. Mesmo simples e agraciado com a humildade, já pensou o quão inspirador és tu, aos olhos de quem não se acha no mundo… Norteando-os mesmo sem saber que o faz?

Culturalmente traímos nosso discernimento, considerando que os munidos de posses, cargos e posições têm juízo e julgamentos perfeitos. É neste rol que concentra-se um peculiar espécime, enganado pelo excesso de aprovação dos que o cercam. Ao alimentá-los com posse, cargo e posição, lhes castramos sem-querer-querendo, retirando as percepções do que seria adequado. Assim, quando faltam com a educação, impõem ideias sem conhecer os valores do interlocutor e agravam o tom de voz neste intento… Sabem que o fazem? Percebem suas inaptidões em lidar com o próximo e sofrem com isso? E será que sabemos que o biscoito foi por nós jogado ao cachorro… Surtindo no que simploriamente taxamos “maluco” e que confortavelmente preferimos isolar?

Essa é só uma, das diversas caracterizações de doidão, altamente atraídos pelos para-raios de maluco. Quando a sociedade torce o nariz aos emocionalmente inaptos, a carência é efeito colateral certeiro, virada em obsessão por aqueles com o dom de compreendê-los. “Nossa, como aguentas essa mala?”. O princípio funcional do para-raio é o aterramento: o pulso elétrico lhe bombardeia e um fio conectado no solo canaliza a energia para o lugar certo – protegendo os arredores ao descarregar a mala, deixando-a leve, leve.

Mas como diria Ben Parker: “com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades”. Adaptando a máxima do Tio do Homem Aranha, a responsa seria com nós mesmos, zelando por apenas canalizar, em vez de absorver a carga recebida. Porque eles vão continuar saindo dos bueiros e caindo das árvores. E sua energia precisa estar na amperagem correta, pra não repelir aos choques quem carece de ti. Não é karma, é dom PORRA!

 

Sobre o Escriba: pensando se perdeu tempo em escrever esse textão, já que tá todo mundo ficando muy loko ultimamente.