Rock x Sertanejo – Porque o country americano se aproxima tanto do rock e no Brasil se divide tanto?

O início do rock foi em meio a uma época de ebulição cultural. É difícil estabelecer um início, porque uma das principais características do rock é sua derivação de diversos estilos.

Junte o Blues, o Jazz dos negro americanos, com  o Country e o Rhythm and Blues do abastados brancos e se prepare para começar a conhecer o rock..


Blues: som nascido da mistura da música negra com algumas influências europeias por conta da escravidão. Os negros usavam o blues como uma ferramenta para extravasar seus sentimentos mais tristes. Sussurrados com a força de um grito.

Jazz: Ritmo nascido em Nova Orleans, também das mãos dos negros da região. Quem toca jazz consegue tocar qualquer coisa, tamanha é a singularidade dos acordes e canções.

Rhythm and Blues: Inicialmente era uma variação mais  veloz e agressiva do blues. Iniciou com instrumentos elétricos. Daí também surgiu a variação que alguns chamam de Rockabilly.

Country: Um estilo raiz que traz em sua formação a cultura tradicional, com algumas influências de músicas religiosas. O country americano, como sertanejo no brasil, fala de amor, da vida simples no campo e de muita, mas muita dor de cotovelo.

Os principais precursores do Rock nos estados unidos, inclusive, foram cantores country por muito tempo. Rolou aquela mistura e chegamos no que conhecemos hoje.

Por mais que a gente queira ignorar, o rock brasileiro também passou por esse processo. Até hoje, rock e sertanejo não se batem muito por aqui, acredito eu que muito por desinformação, porque a galera das antigas, tinha sim uma pegada bem “rural”, vamos dizer assim.

Zé Rodrix, Sá e Guarabyra, alguns do precursores do rock aqui no Brasil, e olha só! Suas referências iniciais são a música caipira. É muito bacana observar nessas pessoas a evolução que rolou em suas músicas.

Zé Ramalho, por exemplo, é outro que bebeu dessa fonte e está por ai desenvolvendo uma música muito singular e boa!

Mais umas questõezinhas…

Rock sempre esteve ligado à atitude. De certa forma, no Brasil atual, aquilo que historicamente convencionamos chamar de rock’n’roll se tornou cultura de nicho, ou seja, apenas alguns grupos e personas seguem esse estilo. Pra ser rockn roll amigo, tem que seguir um padrão muito específico de gostos e atuações, tudo absorvido de outros gêneros pra criar um ser rock’n roll.

Vamos estabelecer um comparativo bem esdrúxulo:
De um lado temos o Sertanejo, embora enfrente preconceitos, sobretudo por seu caráter popular, meio melação, meio inocente e se veem envolvidos em críticas por supostamente subirem ao palco alcoolizados ou brigas entre produção e artistas locais.

E do outro temos a banda Coldplay pedindo biscoitos sem glúten, mel, gengibre, guacamole com ingredientes orgânicos e decoração do camarim com flores frescas para seus shows no Brasil.

No meio desta reunião de estilos, é importante pensar o que faz o rock, a atitude ou os arranjos metalizados?  

Fica ai a questão, porque resposta mesmo a gente não tem.

O importante é não se prender em preconceitos e entender que a música é viva! As inovações dentro de um gênero historicamente limitante não são raras.
Em 2013, durante gravação no Royal Albert Hall, a dupla sertaneja Jorge e Mateus fez a inserção de cordas em seus arranjos, eles, aliás, foram os primeiros brasileiros a se apresentarem na tradicional casa inglesa, palco de apresentações de nomes como Led Zeppelin e Eric Clapton.

Ouçam esses arranjos, sinceramente.

Vamo com tudo que o que tem por ai é GRANDE.

E vida longa ao bom, velho e novo Rock!