Turismo verde e amarelo

Desde que me entendo por gente, admirei novos lugares. No sofá da agência de viagens de minha tia, ficava olhando para os posters de diversos cantos do planeta e em poucos minutos já estava flutuando na ideia de estar dentro daquelas imagens. Não era difícil. De tão pequeno, quando sentado naqueles sofás, os pés não tocavam o chão.

Mesmo com tantos quadros na parede, não me recordo de ter fotos do Brasil. O chique para aquela cidade no interior de Minas era tomar voo para fora do país: Disney para quem fazia 15 anos, Bariloche para aqueles que faziam sua primeira viagem internacional e Europa para quem tinha “bala na agulha”!

Entre tantos lugares da gringolândia, no meio de uma das revistas de turismo que ficavam expostas nas mesas da agência, achei o primeiro destino que desejava para minha vida: Bonito. Me admirava com a possibilidade de nadar em águas tão claras quase que batendo um papo com aquela imensidão de peixes. Fui criado à beira de um rio, mas a única vez que nadei com os peixes dele foi quando uma enchente fez a piscina lá de casa virar um pesqueiro. E essa tal de Bonito era em terras tupiniquins.

Quase ninguém conhecia. E quase ninguém conhece os Lençóis, poucos podem ir a Noronha, nunca me falaram do interesse de fazer um cruzeiro pelos rios da Amazônia. Enfim, não conhecemos o Brasil. E não há uma lista de lugares bacanas para se conhecer pelo mundo que nosso país não emplaque algumas dezenas de opções.

O mundo precisa de David Fincher

Alguns diretores deveriam ser obrigados a lançar um filme por ano. Em tempos em que vemos fórmulas sendo repetidas à exaustão, remakes desnecessários, continuações manjadas e a trinca “tiro, porrada e bomba” em três dimensões pra todo lado, saber que teremos garantidas algumas pepitas no meio do caminho seria um alento e tanto.

Como a vida não é moleza, precisamos conviver com hiatos infindáveis justamente dos melhores. Para ilustrar a máxima, Michael Bay dirigiu seis “pérolas” nos últimos 10 anos, enquanto o último filme de Christopher Nolan, The Dark Knight Rises, completou dois anos e seguimos contando. Puta mundo injusto, não é verdade? Brincadeiras à parte, é de se imaginar que bons filmes necessitem de tempo para sua realização, afinal, não estamos falando de receitas prontas. O barato da coisa é saber que eles somem, mas voltam um dia!

E para nossa alegria, quem deu as caras nas últimas semanas foi David Fincher. Garota Exemplar (Gone Girl), novo longa do cara, que é um dos meus diretores preferidos, estreou em terras tupiniquins no último dia 2 de outubro, enquanto se mantém imbatível no topo das bilheterias ao redor do mundo há algumas semanas.

Para leitores peculiares…

Uma ilha misteriosa, um orfanato abandonado, uma bizarra coleção de fotografias… Tudo está à espera para ser descoberto em O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares, uma série de livros inesquecíveis que misturam ficção e fotografia em uma experiência de leitura emocionante.

Tropecei neste título por indicação e confesso que foi a capa (e não a sinopse) que me atraiu de primeira. Sou fã de aventuras sombrias, sobrenaturais e há muito tempo não via algo tão corajoso ser lançado. A trama é narrada pelo ponto de vista de Jacob, um adolescente de família rica que se esforça para ser um desajustado. O avô rebelde sempre foi seu maior herói contando histórias fantasiosas e um tanto perturbadoras sobre a guerra e sobre crianças com estranhas habilidades, como levitar, ficar invisível, cuspir abelhas ou produzir fogo com as mãos. Com o passar do tempo, o garoto se convenceu de que eram apenas invenções do avô com o intuito de entretê-lo. No entanto algumas dessas histórias acabam se comprovando verdadeiras quando Jacob presencia um trágico e cruel assassinato. Ele começa então a investigar o misterioso passado de seu avô e o paradeiro das tais crianças peculiares.

True Detective e a virada de jogo das séries

Se você passou os últimos meses ligado no mundo do cinema e das séries, é mais do que provável que o nome True Detective tenha entrado em seu radar, isso se já não tiver assistido. A primeira temporada da série da HBO, predicado que já garante olhares diferenciados sobre ela, chegou ao fim em meados do primeiro semestre, deixando uma ótima impressão e aquele vazio que acompanha os fãs no período que separa uma temporada e outra.

Acontece que True Detective chama a atenção para um fenômeno que tem se mostrado cada vez mais evidente: as produções para TV estão, em vários sentidos, tomando o lugar da sétima arte. A série da HBO reforça o debate com argumentos pra lá de convincentes. A lista de qualidades começa pelo elenco: Matthew McConaughey, oscarizado por Dallas Buyers Club, filme que é rara exceção nos dias de hoje, e Woody Harrelson, duas vezes indicado ao Oscar, interpretam a dupla de protagonistas.