Cadastro dos Devedores de Amizade

E se no degelo do desespero você encontrar contigo mesmo? Jorrando icebergs do mesmo estômago que descansam sapos, centopéias e ratazanas… Gelo seco trincando copos de puro Bourbon de Cana, duma alambicagem secreta que nem Don Pablo ousaria traficar. E se nesse mesmo bucho pousasse a mais perfeita das feijoadas, quão saborosa quanto lisérgica… A ponto da onda alcalina digestiva transmutar-se num tapete mágico – flutuando beijos de língua com o passado; salivando cachaça como combustível.

Entendeu alguma coisa? Nem eu! Peripécias gastronômicas à parte: concretemos os dois pés no chão, porque a mente há de nos trair com o saudosismo – imputando culpa quando os amigos cobram periodicidade, onde podemos oferecer apenas intensidade. Se arrancarmos a máscara nostálgica, mostrando as cicatrizes que ganhamos e o que nos tornamos depois de tanto tempo longe… O passado vira presente, demorando década para volver ao pretérito delicioso, válido de conservar.

Guerra Infinita de Comida!

Frango de padaria ladeando a macarronada. Resolveram trocar o sagrado líquido negro do capitalismo – que não deixa de ser maravilhoso por isso – pelo novo refri de tangerina albina de Madagascar. Nem precisava tanto pra que o tio esquerdopata, barbudo e de camisa vermelha, arremessasse um pão com salame no irmão. Com calça social terminada num mocassim, o agredido saca uma coxinha, bombardeando de volta. E antes do sobrinho Golpista, que Impeachmou a Coca pela Fanta-sabor-desgraça-familiar, gritar “guerra de comidaaaa!”… A matriarca berra: “chegaaaa! Respeitem ao menos o almoço de domingo”.

Por essas e outras, obriguemo-nos a discordar do Maior-Brasileiro-de-Todos-os-Tempos-Só-Que-Não: Silvio Santos? Até poderia ser, mas NÃO! Silvio andou por aí de mãos atadas com um certo presidente vampiresco, que Topa Tudo Por Dinheiro – aqui cabe uma onomatopeia né: máaa oooiiii! Na verdade falemos de Levir Fidelix, quando interpelado em debate na eleição passada, soltando uma pérola contra a união de pessoas do mesmo sexo: “aparelho excretor não reproduz”. Desculpa aí Levir, mas é tanta gente falando merda, bostejando pela boca, que parecem mesmo ter sido paridos pelos ânus.  

Contatos imediatos de miopia comportamental

Eles estão entre nós! E se esforçando muito para tal feito. Não se trata de invasão alienígena, ou de outra forma inteligente. É bem mais terreno que isso. Para alguns, é extremamente doloroso realizar atos simplórios à Maioria. Nada de empecilhos físicos, indo muito além das rampas de acesso para cadeirantes – o que também valeria uma problematização, né!?!  

Existe um consenso normativo que nos é apregoado desde a primeira infância. Retroalimentado dia após dia, até que nos tornemos partícipes ativos da sociedade. Uma teia de valores, jogando luz no que seria razoável. Mas… E se por algum motivo, em momento oportuno, saíssemos desses trilhos doutrinários… Construindo uma estrada particular para um entendimento diferenciado do mundo?

Quando os Pandas retribuírem as bofetadas

Claro que empunhar um taco de basebol e quebrar a porra toda é mais interessante. Não se envergonhe caso tenha ímpeto em fazê-lo. Fúria, Raiva, Ranço e toda sorte de sentimentos inflamáveis. Combustíveis gratuitos, abundantes e não raros feito o petróleo, mas tão nocivos quanto. É impossível desviar de tais emoções: lidar é melhor que asfixiar.

Arremessar a cadeira no vidro da sala do chefe, após um esporro homérico em público. Imagine a plástica cinematográfica dos movimentos. Tentador, não?! Mas a praxe versa diferente: envermelhar-se de Fúria, perante a impotência do “não reagir” e conseguinte manutenção do emprego. Trespassar a barreira entre o “sentir” e o “agir impulsivamente” é preocupante. Tanto quanto a cultura de supressão e condenação de emoções explosivas – condicionantes à aceitação pacífica, interiorização de sentimentos danosos e destruição das capacidades reativas do indivíduo.