Dois Futuros bem Passados, cebola, picles, num pão com gergelim!

Sentir saudades daquilo que não se viveu… Sequela da lobotomia vintage a que somos submetidos diuturnamente. Parou pra pensar que um percentual considerável de nossas memórias são construídas? O carinho com que se assiste à “Stranger Things 2”, por exemplo… Não é condizente a quem nasceu na virada dos 80’s para os 90’s. Quem tinha dois anos em 1989, não é apto para comentários convictos sobre ombreiras enormes, polainas e mangas bufantes. Biologicamente e excluindo espiritualismos, nessa idade, inexiste cognição rememorativa para tal.

O escriba, por oportuno, não é nenhum jovenzinho, tendo seis aninhos em 89. Nas suas lembranças… Apenas a reprodutibilidade de filmes da Sessão da Tarde; e a posterior literatura almanaquista valorizando a “década perdida”. Feito um rasgo no espaço/tempo, digamos que o escriba “viveu os oitenta nos noventa”, achatando o nariz na TV. E também em 2000, consolidando memórias que não suas, ao devorar um “Almanaque Anos 80”, ganho de amigo oculto. Exercício último levado no beiral da depressão, quão saudosista esteve por algo que não lhe pertencia.

Em terra de Youtube, toda testa é outdoor!

O nervo temporal pulsa em semi-derrame, a cada chamada para o Globo Play. Publicidade via TV aberta, convidando a pagar por conteúdo fechado na Internet: zona livre essencialmente. A contraposição requinta o esdrúxulo, quando outro bastião da televisão abre pernas à gratuidade de informação. Do aneurisma midiológico, se vai ao orgasmo estratégico, vendo os episódios do Masterchef integralmente disponibilizado no Youtube.

A insustentável leveza do tem que se fudê prá aprendê!

“As melhores práticas para sua Reprogramação Mental – Ligue agora e agende uma consulta com nossos Benfeitores!” Reprogramação Mental! Sente o quão pesado é o termo? Parece pinçado da mais POP das epopeias retro-futuristas: Laranja Mecânica, onde o jovem Alex, na cadeia, é submetido a um experimento de engenharia social, regado a drogas e hipnose, com resultados catastróficos! O que não significa ser a tal Reprogramação Mental desastrosa (essa marca de camisetas aí poderia re-re-reeditar a ClockWork Banana, né!?!).   

Antecipando-se às críticas, façamos mea culpa: nada aqui se sabe sobre Reprogramação Mental, além do que foi visto num comercial de TV. Reiterando, atemo-nos ao peso da terminologia e não à técnica em si. E porque usar “Nossos Benfeitores” em vez de “Nossos Profissionais”? Benfeitores é tão messiânico/charlatão. É tão… Arapuca para capturar corações partidos, laçar espíritos doloridos, fisgar cérebros combalidos – todos com alguma segurança nos bolsos, dispostos a comprar soluções para as chapuletadas que a vida nos dá.