O mundo precisa de David Fincher

Alguns diretores deveriam ser obrigados a lançar um filme por ano. Em tempos em que vemos fórmulas sendo repetidas à exaustão, remakes desnecessários, continuações manjadas e a trinca “tiro, porrada e bomba” em três dimensões pra todo lado, saber que teremos garantidas algumas pepitas no meio do caminho seria um alento e tanto.

Como a vida não é moleza, precisamos conviver com hiatos infindáveis justamente dos melhores. Para ilustrar a máxima, Michael Bay dirigiu seis “pérolas” nos últimos 10 anos, enquanto o último filme de Christopher Nolan, The Dark Knight Rises, completou dois anos e seguimos contando. Puta mundo injusto, não é verdade? Brincadeiras à parte, é de se imaginar que bons filmes necessitem de tempo para sua realização, afinal, não estamos falando de receitas prontas. O barato da coisa é saber que eles somem, mas voltam um dia!

E para nossa alegria, quem deu as caras nas últimas semanas foi David Fincher. Garota Exemplar (Gone Girl), novo longa do cara, que é um dos meus diretores preferidos, estreou em terras tupiniquins no último dia 2 de outubro, enquanto se mantém imbatível no topo das bilheterias ao redor do mundo há algumas semanas.

O Pacto

Horns vai estrear no cinema em breve, mas ainda dá tempo de ler o livro que inspirou este thriller sobrenatural!

O filme é uma adaptação do best-seller escrito por Joe Hill (filho prodígio de Stephen King) e conta a história de Ig Perrish (Daniel Radcliffe), um jovem de 26 anos que tem a vida virada pelo avesso quando sua namorada é estuprada e morta, deixando-o como principal suspeito. O caso é arquivado por falta de provas e mesmo um ano após a tragédia, nada foi provado ou descoberto ainda, o que o obriga a partir em busca do verdadeiro responsável… Certa manhã, Ig acorda de ressaca e nota que dois chifres estão nascendo em sua testa. Além de bizarros, eles possuem um estranho poder: ouvir os segredos mais sombrios das pessoas. Ele começa, então, a investigar o crime por conta própria.

O Garoto de Liverpool

Não fosse o trágico acontecimento do dia 8 de dezembro de 1980, John Lennon completaria 74 anos no próximo dia 9. Porém, seus 40 anos de vida foram mais do que suficientes como base para enredos de incontáveis histórias, que fazem de Lennon, até hoje, um dos maiores ícones populares que o mundo já viu. O sucesso com a maior banda de todos os tempos, a carreira solo, a luta pela paz e até mesmo seu controverso assassinato já foram retratados diversas vezes na literatura e no cinema.

Lançado em 2009, O Garoto de Liverpool (Nowhere Boy, no original) é um precioso registro de um período da vida do ex-beatle que ainda não havia sido visitado na sétima arte, mostrando uma fase em que John Winston Lennon era apenas um adolescente em meio a suas descobertas. O John que vemos ainda é um projeto de mito, no período que talvez seja o mais determinante em sua formação, seja ela musical ou pessoal. Por esses méritos, o filme desponta como principal retrato sobre a gênese do quarteto de Liverpool.

Folk pra ver e ouvir

Como todo amante de música, sofro daquela fixação em determinada banda ou estilo por um período que pode variar de dias, semanas ou até meses. Nos últimos tempos, tenho dado mais atenção do que nunca ao Folk e suas vertentes, indo de Bob Dylan ao novato Jake Bugg, passando por Donovan, meu ídolo Johnny Cash e alguns ótimos grupos de Bluegrass. No fim, a curiosidade acaba falando mais alto e não consigo me prender apenas ao som, gastando também um bom tempo entre leituras e pesquisas sobre o estilo. E foi justamente nesses momentos de estudo que “descobri” dois filmes que imediatamente entraram para minha lista de favoritos.

O primeiro deles é Once, que no Brasil recebeu o título Apenas Uma Vez. Lançado em 2007, trata-se de uma produção irlandesa independente, com orçamento modesto, encabeçada pelo diretor e roteirista John Carney. O enredo acompanha um músico de rua que conhece uma imigrante pianista e começa com ela uma colaboração musical inesperada. Inspirado pela nova amiga, o protagonista ruma para a última cartada em sua carreira.