O Dia do Professor e a educação brasileira em tempos mal educados

Se você pode ler este texto, provavelmente deve isso à dedicação e à paciência de alguém. É exatamente para esse indivíduo que oferecemos o dia de hoje.

Destinar a vida a formar outras pessoas é um dos gestos mais nobres que um ser humano pode exercer. Existe coisa mais bonita que a entrega? Pessoalmente, acredito que não.

Professores doam conhecimento adquirido em anos de esforço sem almejar nada em troca - além daquilo que é obrigação receberem, obviamente. São os responsáveis por abrir cabeças, olhos e corações. Empoderam. Influenciam. São exemplo.

Nunca foi fácil exercer o ofício de mestre no Brasil. E nunca foi tão difícil.

A Educação é a primeira presa de cortes quando a voracidade austera grita. É alvo de movimentos intelectualmente questionáveis, que se travestem de ativistas da liberdade e da “ausência de viés”.

Em junho, um levantamento feito pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) deixou clara a falta de valorização dos nossos docentes: os professores brasileiros têm as piores remunerações entre os 48 países envolvidos na pesquisa. Além disso, eles não têm ganho salarial ao longo dos anos de carreira. Para completar, o Brasil lidera o ranking de violência contra professores, feito pela mesma organização.

O cenário seria motivo para profunda lamentação por parte do Patrono da Educação Brasileira, caso ele ainda vivesse.

Paulo Freire acreditava na instrução como a melhor estrada rumo à modificação da sociedade, tornando-a mais inclusiva e menos desigual. O pernambucano foi reconhecido como o terceiro teórico mais citado em trabalhos acadêmicos no mundo nas ciências humanas, pela ferramenta de pesquisa Google Scholar.

Professor e filósofo, sempre foi um defensor do diálogo com oprimidos e marginalizados. Dedicou parte da vida a ensinar aos pobres. Em 1963, por exemplo, com seu método inovador, conseguiu alfabetizar 300 cortadores de cana em 45 dias, com apenas 40 horas totais de aula. Para ele, cada educando tem seu próprio caminho na educação, sem paradigmas.

Sua obra e seu legado não cabem em um simples post de blog. E são inquestionáveis: não há borracha, corretivo, botão delete, lobotomia, fake news ou astrólogo que apague.

Aqui na Chico Rei, a gente acredita no poder transformador da educação defendido por Freire. Entre as diversas bandeiras que levantamos enquanto marca, talvez seja essa a nossa principal. Justamente por sermos feitos de pessoas e para pessoas, desde o berço.

Em nossa história, percebemos que camisetas têm potencial para mudar vidas pela expressão individual. Em 2019, decidimos levá-las além: lançamos o projeto Camisetas Mudam o Mundo. Ele garante que toda peça vendida pela Chico tenha parte de sua renda revertida para projetos sociais e/ou ambientais.

Decidimos começar justamente pela educação. E no nosso entorno.

Desde o ano passado, estamos fazendo a reforma da Escola Municipal Santos Dumont, nossa vizinha de bairro aqui em Juiz de Fora - fica a dois quarteirões da empresa. Com o engajamento dos nossos clientes, já conseguimos renovar a pintura e trocar as carteiras e persianas, por exemplo. A ideia da vez é a construção de um novo parquinho, que está nos preparativos finais para sair do papel.

Se você quiser conhecer detalhes do projeto Camisetas Mudam o Mundo, é só clicar aqui.

É importante ressaltar que jamais pensamos em assumir o papel dos agentes públicos em projetos como esse. Mas nos sentimos no dever de fazer a nossa parte, do jeito que conseguimos e idealizamos. Afinal, como disseram em um certo filme de um herói aracnídeo por aí, “se alguém precisa de ajuda e você pode ajudar, você tem a obrigação de fazer isso.”

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Já que falamos em patrono, você lembra quem foi que ensinou o feitiço que espanta dementadores ao Harry, em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban? Isso mesmo, o PROFESSOR Lupin. Fica a reflexão.