Alegria, alegria: chegou a nossa playlist de verão

O verão chegou cheio de bossa mostrando que azul é a cor mais quente. Se não tem mar, vale banho de cachoeira, piscina, chuveirão, mangueira. Ou banho de chuva, a danada que adora promover casamento de viúva na estação mais pé no chão do ano.

As tonalidades de azul variam da cor do mar ao céu. Aliás, no verão, o nosso céu a gente inventa. Para caberem encontros de amigos, amores de marinheiro, ou celebrar a união de praia que subiu a serra. No guarda-sol-chuva do verão tem espaço para esquibunda na grama, churrasco de inauguração da piscina de plástico, ler na canga, cochilar na rede, prosear na sorveteria, usar chapéu sem formar muita questão filosófica. Por sinal, verão é tempo de deixar os temores de lado, aumentando o entendimento sobre a natureza e diminuindo a preocupação sobre as horas:

Dois Futuros bem Passados, cebola, picles, num pão com gergelim!

Sentir saudades daquilo que não se viveu… Sequela da lobotomia vintage a que somos submetidos diuturnamente. Parou pra pensar que um percentual considerável de nossas memórias são construídas? O carinho com que se assiste à “Stranger Things 2”, por exemplo… Não é condizente a quem nasceu na virada dos 80’s para os 90’s. Quem tinha dois anos em 1989, não é apto para comentários convictos sobre ombreiras enormes, polainas e mangas bufantes. Biologicamente e excluindo espiritualismos, nessa idade, inexiste cognição rememorativa para tal.

O escriba, por oportuno, não é nenhum jovenzinho, tendo seis aninhos em 89. Nas suas lembranças… Apenas a reprodutibilidade de filmes da Sessão da Tarde; e a posterior literatura almanaquista valorizando a “década perdida”. Feito um rasgo no espaço/tempo, digamos que o escriba “viveu os oitenta nos noventa”, achatando o nariz na TV. E também em 2000, consolidando memórias que não suas, ao devorar um “Almanaque Anos 80”, ganho de amigo oculto. Exercício último levado no beiral da depressão, quão saudosista esteve por algo que não lhe pertencia.

Em terra de Youtube, toda testa é outdoor!

O nervo temporal pulsa em semi-derrame, a cada chamada para o Globo Play. Publicidade via TV aberta, convidando a pagar por conteúdo fechado na Internet: zona livre essencialmente. A contraposição requinta o esdrúxulo, quando outro bastião da televisão abre pernas à gratuidade de informação. Do aneurisma midiológico, se vai ao orgasmo estratégico, vendo os episódios do Masterchef integralmente disponibilizado no Youtube.