O Garoto de Liverpool

Não fosse o trágico acontecimento do dia 8 de dezembro de 1980, John Lennon completaria 74 anos no próximo dia 9. Porém, seus 40 anos de vida foram mais do que suficientes como base para enredos de incontáveis histórias, que fazem de Lennon, até hoje, um dos maiores ícones populares que o mundo já viu. O sucesso com a maior banda de todos os tempos, a carreira solo, a luta pela paz e até mesmo seu controverso assassinato já foram retratados diversas vezes na literatura e no cinema.

Lançado em 2009, O Garoto de Liverpool (Nowhere Boy, no original) é um precioso registro de um período da vida do ex-beatle que ainda não havia sido visitado na sétima arte, mostrando uma fase em que John Winston Lennon era apenas um adolescente em meio a suas descobertas. O John que vemos ainda é um projeto de mito, no período que talvez seja o mais determinante em sua formação, seja ela musical ou pessoal. Por esses méritos, o filme desponta como principal retrato sobre a gênese do quarteto de Liverpool.

A direção do longa ficou sob a batuta de Sam Taylor-Wood, que virou Sam Taylor-Johnson após juntar as escovas de dentes com o protagonista do filme, Aaron Taylor-Johnson, conhecido por aí como Kick-Ass. Matt Greenhalgh assina o roteiro, baseado no livro Imagine This: Growing Up With My Brother John Lennon, de Julia Baird, irmã do astro.

A trama nos transporta à Liverpool dos anos 50 e foge da zona de conforto ao deixar em segundo plano o relacionamento de Lennon com os colegas de banda, ou a criação das músicas que levariam os Beatles (que na época ainda eram The Quarrymen) ao mais elevado patamar do sucesso. O filme acerta ao abordar o lado pessoal do jovem John, focando em seu conturbado relacionamento com Julia, a mãe que o abandonara ainda bebê, e Mimi, a tia que o criou.

O Garoto de Liverpool não inova tecnicamente, tampouco mudará sua visão sobre obras biográficas. A abordagem é por vezes linear demais, o que não prejudica. Porém, é no respeito ao protagonista, sem parecer piegas, que o filme encontra seu tom: ali estão presentes os elementos que transformaram John Lennon em John Lennon, sem qualquer resquício de coitadismo. Em alguns momentos, é até possível achar o protagonista, com o perdão da palavra, um grande babaca.

A principal proeza do longa é servir como prólogo de uma história revisitada incansavelmente. O espectador é conduzido a entender como aquele rapaz se transformou no icônico astro. E, apesar da abordagem superficial, é inegável a emoção de ver como Paul McCartney entrou na vida de John, para mais tarde se tornar seu maior parceiro musical. Sam Taylor-Johnson ainda presenteia o espectador com algumas referências importantes na vida do protagonista. Quem não reparou na bicicleta passando diante do orfanato Strawberry Fields, o ônibus cujo itinerário percorre Penny Lane, o Cavern Club onde a banda sonha tocar?

Não bastasse o ótimo roteiro casado com direção segura, o elenco faz jus à história do ídolo. Aaron Taylor-Johnson compensa a pouca semelhança física com Lennon e consegue reproduzir de forma fiel o sotaque e o ar arrogante do astro. Anne-Marie Duff e Kristin Scott Thomas também estão ótimas dando vida a mãe e tia, respectivamente, conseguindo retratá-las como opostos perfeitos. E Thomas Sangster, embora não tenha tanto destaque, incorpora um jovem Paul seguro, consciente e, ao mesmo tempo, metódico.

O Garoto de Liverpool não deve ser tratado como um filme que conta a história do grande astro John Lennon. É mais correto classificá-lo como ponto de partida de uma carreira brilhante, interrompida precocemente. A obra é uma homenagem mais do que justa ao “garoto de lugar nenhum, sentado em sua terra de lugar nenhum, fazendo todos os seus planos inexistentes para ninguém” que se tornou um gigante.

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