10 coisas que você deveria saber sobre Clarice Lispector

Quem foi Clarice Lispector? É bacana compreender que a forma como pensamos é fruto das coisas que passamos e vivemos, elas filtram diretamente as questões que perpassam nossas mentes.

Com Clarice Lispector, essa deusa e escritora maravilhosa, não poderia ser diferente. Para demonstrar, separei algumas questões que fomentaram diretamente a forma de pensar da escritora.

Ela é um símbolo feminista, um ícone literário e uma grande personalidade a servir de exemplo. Uma mulher entre muitas outras fortes e que não poderia ficar de fora aqui da Chico Rei.

Segue porque agora a hora é da ESTRELA!

1 – Clarice foi pintada por Giorgio De Chirico

A beleza e os traços diferentes de Clarice Lispector sempre chamaram a atenção. Em 1945, teve um retrato pintado por Giorgio de Chirico, um importante artista do movimento surrealista. Durante o período do retrato de Clarice Lispector, o artista já retornava para um estilo mais tradicional.

Sobre o acontecimento, Clarice escreveu por carta à irmã Elisa: “Eu estava posando para De Chirico quando o jornaleiro gritou: ‘È finita la guerra!’. Eu também dei um grito, o pintor parou, comentou-se a falta estranha de alegria da gente e continuou-se. Aposto que, no Brasil, a alegria foi maior.”

2 – Muito além das palavras

Clarice também se aventurou pela pintura. Seus principais quadros foram feitos em 1975 e suas obras têm uma estética modernista bem aparente.

3 – Família de imigrantes

Sua família passou por diversos horrores provocados pela guerra. Saíram da Rússia, foram para a Ucrânia e depois para o Brasil, onde ainda sofreram nas mãos da tia de Clarice Lispector, irmã de sua mãe. O passatempo da família era pedir que ela imitasse as professoras e demais pessoas com quem mantinha contato. Nesses momentos, Clarice dava um show de interpretação.

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4 – Entrevista televisionada

Para quem lê os livros de Clarice Lispector, mas nunca ouviu voz à escritora, ela fez apenas uma única entrevista televisionada. Podemos conhecer um pouco da Clarice Lispector na sua própria voz, sua língua presa e seu sotaque nordestino. A entrevista foi concedida ao jornalista Júlio Lerner, em 1977, poucos meses antes de ela falecer. O interessante é que a entrevista foi realizada em fevereiro, mas só foi divulgada dez meses depois da morte da escritora.

O motivo? A própria Clarice fez esse pedido e o colocou como condição para dar a entrevista.

5 – A mãe

Clarice Lispector confidenciou a uma amiga que durante o refúgio de sua família na Ucrânia, sua mãe, Mania Lispector, fora estuprada e, do ato horrendo, adquiriu sífilis. Elisa Lispector, irmã de Clarice, escreveu em seu romance “No Exílio”, que o trauma decorrente da violência deixou marcas psicológicas e físicas durante toda a vida de Mania. Clarice nasceu um ano após o estupro de sua mãe e escreveu sobre isso:

“Fui preparada para ser dada à luz de um modo tão bonito. Minha mãe já estava doente, e, por uma superstição bastante espalhada, acreditava-se que ter um filho curava uma mulher de uma doença. Então fui deliberadamente criada: com amor e esperança. Só que não curei minha mãe. (…) Sei que meus pais me perdoaram eu ter nascido em vão e tê-los traído na grande esperança. Mas eu, eu não me perdoo. Quereria que simplesmente se tivesse feito um milagre: eu nascer e curar minha mãe.”

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6 – Tinha irmãs igualmente transgressoras

Clarice tinha duas irmãs, Elisa e Tania. Após a morte de seu pai, todas passam a morar na casa de Tania, funcionária pública e casada com William Kauffman.

“Aos 91 anos, Tania ainda se lembrava de seu assombro diante da reação do pai quando, na adolescência, saiu em defesa do “amor livre” e proclamou que não iria se casar. Para uma garota da pequena e conservadora comunidade judaica do Recife nos anos 1930, aquilo era uma provocação, e Tania se preparou para a reação. “Outros pais teriam batido numa filha que dissesse uma coisa assim. Tenho certeza de que ele ficou chocado, mas em vez de agredir perguntou por que eu pensava daquele jeito. Conversamos a respeito. E então, como tenho certeza que ele sabia que eu faria aquilo, acabei esquecendo a coisa toda.”

Ela e as irmãs pensando sobre suas feminilidades em algum momento, observaram duas atitudes que entregavam suas posturas de “transgressoras” às regras machistas: 1ª: “eu acendo meu próprio cigarro, mas outra mulher fica esperando com o cigarro até que o homem acenda.” 2ª: “eu mesma tinha aproximado a cadeira da mesa, quando deveria esperar que ele fizesse isso para mim”.

7 – Todas as irmãs escreviam

Elisa Lispector escrevia romances, entre eles “No Exílio”, que contava sobre a saga da família que fugia da guerra e da perseguição aos judeus. Tania Lispector era funcionária pública e escrevia livros técnicos e manuais. As cartas entre as irmãs são famosas e até hoje são estudadas, gerando um grande acervo de informações sobre a família e a escritora.

8 – Não se sabe sua real data de nascimento

A verdadeira data de nascimento de Clarice Lispector ainda é questionada, pois a própria escritora chegou a dar datas diferentes em entrevistas. Dizem que a mais próxima da realidade é em 10 de dezembro de 1920.

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9 – Cursou Direito na UFRJ

A questão social do Nordeste estava cravada na pele da escritora, que sonhava em ser advogada para ajudar a diminuir as injustiças na vida das pessoas necessitadas e reformar as penitenciárias. O reflexo de sua preocupação social aparece na história da retirante Macabéa, de “A Hora da Estrela”. Durante seus estudos, ainda dava aulas de matemática aos vizinhos.

10 – Descrença sobre sua identidade.

Depois de lançar “Perto do Coração Selvagem”, alguns críticos chegaram a dizer que se tratava de um pseudônimo de algum escritor, pois, para eles, as mulheres da época não seriam capazes de escrever tão bem. A escritora era vista como um ser enigmático, uma esfinge a ser decifrada. A jovem escritora causava furor e apaixonava todos que a conheciam.

Ai, MARAVILHOSA, né não?

Espero que tenham gostado e sigam por aqui, porque só vem mais coisa boa. 😉