Pantera Negra: o mundo de Wakanda

O novo filme da Marvel acompanha T’Challa (o Pantera Negra), que acaba de perder o seu pai – o Rei de Wakanda (país fictício da África) – e se vê na missão de ocupar o seu lugar de direito no trono. Mas como nada é tão simples assim, somos logo apresentados ao primo de T’Challa – Killmonger – que não está muito feliz com a família e chega para desequilibrar toda a magia do lugar.

Composto por uma beleza paisagística única, um figurino colorido e futurista e muitas questões de representatividade, se fazem nulas as chances de desgrudar os olhos do filme Pantera Negra!

Concebido em 1966 pelo ilustrador Jack Kirby e pelo escritor Stan Lee é a primeira história em quadrinhos a ter um super-herói de origem africana. A data de criação esbarra justamente no ano do início de uma grande luta dos negros na sociedade norte-americana, com a explosão de uma vanguarda que reivindicava seus direitos nas ruas: Partido dos Panteras Negras.

Assim, o filme se torna um prato cheio para questões de representatividade e faz isso com muita clareza através de um elenco majoritariamente negro, das mulheres destemidas interpretadas por Lupita Nyong’oDanai Gurira e Letitia Wright, além de delinear particularidades típicas da cultura africana (aspectos que são realmente inéditos no que diz respeito às produções do universo Marvel).

Essa mistura de arte, guerra e super-herói promoveu cenas incríveis (com um referencial histórico e visual muito amplos) olha só:

1 – A figurinista Ruth Carter, em entrevista a Forbes, diz ter procurado tribos, como os Masai e os Shuri, para inspiração, adicionando depois elementos futuristas: “A moda afropunk e afrofuturista é uma boa analogia para algumas partes de Wakanda.”

2 – Todos os momentos no laboratório de Wakanda são super instigantes e nos despertam para um mundo novo e irreal. A tecnologia do vibranium permite que Shuri invente armaduras, automóveis e apetrechos únicos para seu irmão e permite também que ela mude o rumo da história salvando vidas (agente Ross).

3 – Quando T’Challa finalmente consegue derrotar Killmonger, resolve lhe dar uma segunda chance e diz que graças à tecnologia de Wakanda sua morte pode ser evitada. Mas seu primo resolve seguir por outros caminhos e dá instruções claras: quer que seu corpo seja jogado no oceano – como o de seus ancestrais – que preferiram a morte a uma vida de escravidão.

O desejo de Killmonger faz referência ao comércio de escravos africanos nos séculos XV ao XVIII que eram sequestrados e transportados em navios onde muitos preferiam cometer suicídio: se recusando a comer ou saltando dos navios ( o que se tornou uma forma de rebelião).

4 – As cenas de luta e rituais de Wakanda são muito ricas em detalhes, a coroação do Pantera Negra e sua imersão no mundo dos mortos depois de coroado, evidenciam a cultura desse povo, com cores, movimentos e muita música.