Quando os Pandas retribuírem as bofetadas

Claro que empunhar um taco de basebol e quebrar a porra toda é mais interessante. Não se envergonhe caso tenha ímpeto em fazê-lo. Fúria, Raiva, Ranço e toda sorte de sentimentos inflamáveis. Combustíveis gratuitos, abundantes e não raros feito o petróleo, mas tão nocivos quanto. É impossível desviar de tais emoções: lidar é melhor que asfixiar.

Arremessar a cadeira no vidro da sala do chefe, após um esporro homérico em público. Imagine a plástica cinematográfica dos movimentos. Tentador, não?! Mas a praxe versa diferente: envermelhar-se de Fúria, perante a impotência do “não reagir” e conseguinte manutenção do emprego. Trespassar a barreira entre o “sentir” e o “agir impulsivamente” é preocupante. Tanto quanto a cultura de supressão e condenação de emoções explosivas – condicionantes à aceitação pacífica, interiorização de sentimentos danosos e destruição das capacidades reativas do indivíduo.

Quando lhe vier a Fúria, aproveite-se de outros anseios mal vistos. O cinismo, por exemplo. Com o rosto chiando na brasa e a mão engatilhada em soco, responda calmo o oponente. Atitudes inesperadamente plácidas, em situações críticas, emudecem berros hostis. Faz bem ao ego ter o pleno domínio da situação e falar mansinho, enquanto o interlocutor se descabela. Seu “Buda Interior” não vai nascer assim tão fácil! É muita chapuletada da vida até pari-lo! Mas valem as dores da rara cruza entre cinismo e autocontrole, na busca pelo “Nirvana da Inteligência Emocional”.

Ainda que nos apaziguemos, segurando a afoiteza em espancar alguém, somos suscetíveis à Raiva. Depois da Fúria, ela virá! Raiva de nós mesmos: por não ter mandado pra casa do caralh#@ o chefe, um servidor público que frustrou expectativas num atendimento, ou “qualqueres” que lhe compliquem o existir. Porra! Somos humanos! Normal sentir Raiva. O problema é desconhecer os próprios gatilhos e mecanismos de frenagem, alimentando planos para devolver o mal causado.

Mas que não nos transformemos num exército de Pandas, oferecendo a outra face a cada bofetada. Há um ferramental enorme para fugir das peças que nosso temperamento nos prega. A auto-observação é uma dessas lanternas. Deixe fluir a Fúria, virando-a em Raiva, até que nasça o Ranço. Sobre o último, não há impulsionador melhor da invisibilidade alheia: porque ninguém vai simplesmente enfiar a cabeça no C# e desaparecer. E se não puder evitar tal enfrentamento, vire o Ranço em gasolina, indo enfurecer-se em outro emprego, relacionamento e afins. Só não pare de passar Raiva: são os chutes na bunda que nos fazem caminhar pra frente.

Sobre o Escriba: é duma inteligência emocional pavorosa. Mas também… Já tomou cada chute na bunda pra seguir na linha! E anda ousadinho né?!? Enchendo a crônica de palavrão… Affff!!!