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Dia do Disco: 9 grandes álbuns gravados em casa

Em tempos de quarentena e isolamento social, relembramos alguns grandes discos da história da música gravados longe dos estúdios.


• 7 mins de leitura
Dia do Disco: 9 grandes álbuns gravados em casa

Em meio à quarentena e aos tempos marcados pela avalanche de lives, bateu uma vontade repentina de gravar um álbum musical em casa. Mas algumas pedras surgiram no caminho. Entre elas, o simples fato de eu não ser músico e não ter ideia de como fazer isso.

Sendo assim, achei melhor continuar sendo apenas ouvinte e crítico. Mais bacana para mim e para o mundo, que não vai ter tão cedo a oportunidade de me ouvir cantando no chuveiro. Passei a refletir sobre como anda a vida dos músicos que vivem em isolamento social por conta da pandemia: será que todos ficam plenamente satisfeitos fazendo as famigeradas lives?

"Vontade de gravar um disco, né, minha filha?", poderia questioná-los um famoso médico daquela famosa televisão.

Pesquisei sobre álbuns gravados em casa ao longo da história da música e me surpreendi com a quantidade e a qualidade deles. Filtrei com os seguintes critérios: gosto pessoal + relevância. Trouxe o resultado para vocês neste 20 de abril, o Dia do Disco. Espero que gostem.

Paul McCartney - McCartney (1970)

Começamos com ninguém menos que ele, Sir Paul McCartney!

Para mim, quase um deus. Para alguns, apenas um ex-beatle. Para outros, um ex-beatle que já se foi daqui e há décadas vive na pele de um impostor.

Fato é que o disco, gravado praticamente em segredo na casa de Macca em Londres, marcou de vez o rompimento dos garotos de Liverpool. Para se ter uma ideia, ele foi lançado em abril, antes de Let It Be, que saiu em maio.

No processo de gravação, Paul tocou todos os instrumentos e produziu todas as faixas sozinho. Deve ser bom ser um gênio.

Na época, McCartney não foi bem recebido pela crítica, que estranhava a baixa qualidade. Mais tarde, acabou virando referência pro gênero lo-fi.

Ouça McCartney:

Falando em Paul, conheça a camiseta Deixe Morrer.


The Rolling Stones - Exile On Main Street (1972)

Leu sobre um beatle mas gosta mais dos Rolling Stones? Não tem problema: eles também gravaram em casa!

Mick Jagger ainda não era visto como um cara azarado naquela época. Mas ele e seus camaradas não deram sorte com a agenda do estúdio que queriam alugar para a produção de Exile On Main Street.

Optaram, então, por ir para uma mansão no sul da França. Pararam uma van do lado de fora da humilde residência com os equipamentos necessários e mandaram ver.

Ouça Exile On Main Street:


Deep Purple - Machine Head (1972)

Assim como os Stones, o Deep Purple também precisou mudar seus planos de última hora. Parecia que algo conspirava contra a gravação em estúdio de discos que sairiam em 1972.

Os queridos viajaram para a Suíça, onde tinham alugado o requisitado Montreal Casino logo após um show de Frank Zappa. O problema é que deu ruim nessa apresentação quando alguém bem especial da plateia decidiu disparar um sinalizador diretamente no teto. Resultado? Incêndio. O local virou cinzas e o Deep Purple ficou roxo de raiva.

Às pressas, alugaram uma casa abandonada, o Grand Hotel, e as gravações acabaram ocorrendo por ali, em modelo semelhante ao dos Stones.

O álbum bombou e chegou ao topo das paradas britânicas com apenas uma semana do lançamento! A saga suíça da banda é narrada na faixa Smoke On The Water, a mais famosa do Deep Purple:

We all came out to Montreux
On the Lake Geneva shoreline
To make records with a mobile
We didn’t have much time
Frank Zappa and the Mothers
Were at the best place around
But some stupid with a flare gun
Burned the place to the ground
Smoke on the water, fire in the sky

Ouça Machine Head:

Já conhece a camiseta Deep Purple?


Bruce Springsteen - Nebraska (1982)

Diferente dos Stones e do Deep Purple, Bruce Springsteen não foi impedido de gravar no estúdio. Ele mesmo decidiu tentar fazer grande parte do serviço em casa para ser mais eficiente.

O norte-americano, que hoje tem 20 Grammys e até um Oscar, fez todas as demos em seu lar, com um gravador de fita. Mais tarde, foi ao estúdio para gravar as músicas. Porém, ele e seus produtores gostaram mesmo foi da primeira versão de Nebraska, a do gravadorzinho. Acabaram optando por ela e descartando todo o trabalho do estúdio e da E Street Band, contratada para a tarefa.

Há relatos de que a maior dificuldade na finalização do disco foi o baixo volume das faixas. Mas deu tudo certo e Nebraska é elogiadíssimo até hoje.

Ouça Nebraska:


Red Hot Chili Peppers - Blood Sugar Sex Magik (1991)

Alguns fãs consideram Blood Sugar Sex Magik como o melhor disco do Red Hot. Não sei se concordo, mas minha canção preferida dos caras está nele e se chama Under The Bridge.

Após rompimento com a gravadora EMI, a banda fechou com a Warner e decidiu convidar o consagrado produtor Rick Rubin para trabalhar em seu próximo disco. E foi Rubin quem sugeriu um retiro para que o trabalho fosse colocado em prática.

Uma mansão de dez quartos de Los Angeles, que havia pertencido ao mágico Harry Houdini, foi alugada. Diziam, inclusive, que ela seria mal-assombrada. Verdade ou não, o resultado foi assombroso, com o perdão do trocadilho. Deu tão certo que os caras acabaram trabalhando com Rubin em vários álbuns seguintes - e hoje a tal mansão pertence ao produtor.

Anthony Kiedis conseguia gravar as vozes de seu próprio quarto. E apenas o baterista Chad Smith saía de lá durante o mês de gravação. Infelizmente, foi na época do pequeno retiro que o genial guitarrista John Frusciante começou a ter problemas com a heroína.

Ouça Blood Sugar Sex Magik:

Curte a estética da capa do disco? Que tal a camiseta Blood Sugar Sex Magik?


Radiohead - Ok Computer (1997)

Originalmente, o Radiohead planejava gravar aquele que viria a ser seu álbum mais conhecido e aclamado pela crítica no estúdio Canned Applause, próximo à cidade de Didcot, na Inglaterra. Porém, o processo não vinha funcionando muito bem. Para Thom Yorke, o problema é que o galpão fica muito próximo às casas dos membros da banda. Já o guitarrista Jonny Greenwood atribuía o insucesso à falta de estrutura satisfatória do local.

Após turnê abrindo shows de Alanis Morissette, o trabalho foi retomado em St Catherine's Court, uma mansão histórica, propriedade da atriz Jane Seymour. Por lá, em experiências mais intimistas, o negócio funcionou.

A banda usou vários dos cômodos e das peculiaridades da casa na gravação. Os vocais de Exit Music (For a Film), por exemplo, contaram com um efeito natural de reverberação causado por uma escada de pedras. E Let Down foi gravada em uma espécie de salão de festas, às três da manhã.

O grosso do disco nasceu na mansão, mas os ingleses fizeram alguns ajustes e adendos em estúdio após o período.

Ouça Ok Computer:

Em homenagem a uma das principais faixas do disco, surgiu a camiseta Paranoid Android!


Bon Iver - For Emma, Forever Ago (2007)

O álbum de estreia de Bon Iver também tem uma história bacana.

Justin Vernon, líder da banda, passava por uma época complicada. Ele tinha acabado de terminar um relacionamento longo, havia deixado seu antigo conjunto musical e, para piorar, estava com mononucleose.

Para se afastar do mundo e se encontrar novamente, Vernon se retirou por três meses em uma cabana na floresta, em Wisconsin. Não, você não está lendo a história do filme Em Natureza Selvagem, mas bem que parece. A diferença principal é que o final da história foi bom pra caramba.

Durante esse período de afastamento e recuperação, Vernon escreveu e gravou todas as faixas de For Emma, Forever Ago. Seus maiores aliados na jornada foram um velho computador da Apple e o aplicativo ProTools LE. Sair para caçar comida e fazer escambo para consertar um violão estiveram entre as missões da saga que culminou num baita disco.

Ouça For Emma, Forever Ago:


Foo Fighters - Wasting Light (2011)

Para a gravação de Wasting Light, Dave Grohl sugeriu que os Foo Fighters retornassem às raízes de uma banda de rock típica. Duas regras foram definidas para o sétimo álbum: gravar tudo em fita e que o processo acontecesse na garagem do vocalista e líder da banda, que, diferente do que você possa pensar, é simples, com espaço para apenas dois carros.

A maior dificuldade foi lidar com a percussão em um espaço limitado. Mas os Foo Fighters acabaram fazendo excelentes performances durante as gravações, adotando um tom agressivo, inspirado pelo ambiente e facilmente notado ao se ouvir o disco. O excelente Wasting Light foi o primeiro álbum dos caras a encabeçar a lista da Billboard.

Ouça Wasting Light:

Dave Grohl é seu herói? Talvez a camiseta There Goes My Hero caia como uma luva - ou como uma camiseta mesmo.


Billie Eilish - When We All Fall Asleep Where Do We Go? (2019)

Para fechar nossa lista, chega o grande trabalho de lançamento de Billie Eilish - que é vegana, assim como as camisetas da Chico Rei.

Aos 18 anos, Billie levou os quatro principais prêmios para casa no Grammy 2020: álbum, música e gravação do ano, assim como artista revelação. Tudo isso por um disco gravado num quarto de casa, por ela e pelo irmão Finneas O’Connell, produtor musical e instrumentista. Em um dos discursos na cerimônia, o garoto afirmou:

"Fazemos música juntos em nosso quarto e continuamos a fazer. Isso é para toda a garotada que faz música no seu quarto. Vocês ainda vão ganhar um destes."

A produção de When We All Fall Asleep Where Do We Go é caracterizada por estilo minimalista, com o baixo se destacando entre os instrumentos e alguns efeitos sonoros caseiros. As letras dialogam sobre questões contemporâneas da juventude, como a saúde mental.

Certamente, Eilish chegou com o pé na porta.

Ouça When We All Fall Asleep Where Do We Go?

Em homenagem à faixa que estourou mundialmente a cantora, a artista convidada Jenifer Prince criou a camiseta Bad Guy.


E aí? Curtiu a seleção? Que álbum feito em casa não poderia faltar na lista e acabou sendo esquecido? Conta pra gente!


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discos, albuns, casa, Red Hot Chili Peppers, billie eilish, foo fighters, bruce springsteen, radiohead, bon iver, deep purple, Rolling Stones, paul mccartney