Na Bagagem

Viagem e lembranças estão coladas no meu dicionário. Viajar nas palavras de outras pessoas ou poder contar por onde e como pisei me dão alegria quase igual à de botar a mochila nas costas – ou as rodinhas no chão!

Por outro lado, não sou muito conhecido por ter uma boa memória. Então, o que levar para casa para relembrar as andanças por aí? Talvez coisas óbvias, como fotos, ímãs ou camisetas, sejam as primeiras ideias à cabeça, mas estes são bem mais recordações que ativadores de minhas lembranças.

De verdade, quer saber o que eu trago? Protetores labiais! O gosto e o cheiro deles me transportam para onde eu usei pela primeira vez, inevitavelmente, sempre que os utilizo. Ter a boca tão ridiculamente sensível às mudanças de temperatura tem seu lado bom! Na foto, duas lembranças um tanto presentes: o primeiro me traz o frio, a simpatia da atendente francesa, o cheiro doce de uma lojinha com cara de vó da Rue Raymond Losserand, em Paris. Já o segundo é igual a calor, cores vibrantes e aventura dos parques da Disney.

Vai dizer que você também não se sente na praia quando usa protetor solar? Coloquei esse pensamento em palavras porque me assusta quando vejo centenas de selfies e tentativas infinitas de fotos nos pontos turísticos. Viver a viagem acaba virando segundo plano – até nas pobres fotos. O espetáculo não está na frente de nossos olhos, mas sim na tela da câmera, e ele se chama narcisismo. Ver fotos é, para mim, uma diversão, mas é preciso vir com um aviso de “aprecie com moderação”.

Protetor labial

Agora diga lá: o que você traz na cabeça quando vai conquistar o mundo? Nenhuma foto traz mais lembranças para mim que meus velhos e bons protetores labiais!