Goiás de corpo e alma

O melhor do Brasil é…. a Natureza! Temos sorte tamanho família de fincar pé por aqui e agradeço de joelhos à toda galere que teve coragem de desbravar esses rincões, obrigado Tupi-Guaranis, Tapuques e Caraíbas e aquele abraço para italianos e espanhóis que cruzaram o Atlântico e, de alguma maneira, me trouxeram pra cá.

Dias atrás conheci um pedaço de sorte no coração do Brasil, em terras goianas: a Chapada dos Veadeiros. As estradas que passeiam por aquela região impressionam, e veja bem: chamar a atenção de um mineiro com montanhas não é tarefa fácil. Mas as chapadas são chapantes, as estradas são parte do espetáculo e para qualquer caminho que tome, encontrará cachoeiras com** ”as águas mais cristalinas do país” – são mais de 300 quedas!**

cv6Montanhas pra mineiro ver

São Jorge e Alto Paraíso de Goiás são as cidades mais próximas das entradas do parque nacional. Além do ecoturismo, a região recebe um bocado de gente a fim de calmaria pra mente e espírito, a fama esotérica por lá tem 2 motivos: estão em cima de uma placa gigante de quartzo, o que seria o espaço ideal para receber seres iluminados e emanar boas vibrações, além de estarem na direção do Paralelo 14, que também passa por Machu Picchu.

cv5Foto da interwebs que ilustra lindamente a noite da Chapada.

As opções de hospedagem ainda são limitadas e em feriados as vagas se esgotam com bastante tempo de antecedência. Por isso mesmo, estava com passagem comprada e nenhum canto para dormir. Mesmo não estando sobre toneladas de quartzo, acredito contar com uma baita sorte na vida. Com figa nos dedos, acessei o AirBnb e tcharam! “A casa de árvore mais alta do Brasil”. Feliz e empolgado com a ideia de descansar alguns dias pendurado em uma árvore, reservei sem titubear!

A casa ficava em uma comunidade de permacultura, onde vive um bocado de gente passando algumas temporadas trocando trabalho por casa, comida e roupa lavada. Mentira! A roupa você lava, desde que seja com sabão orgânico. Uma vida super diferente aos meus dias normais: relógios não parecem tão bem vindos, nem comida industrializada, muito menos carne. Para quem adora um Burguer King, parecia um pesadelo. Mas os dias por lá me ensinaram um pouco sobre como melhorar o cultivo em minha horta, que formigas não são necessariamente pragas no meio da plantação, que vegetarianos não comem só alface e tomate e a valorizar o silencia, ou, valorizar o som da terra. Todos os dias dormíamos ao som da cachoeira que caía logo ao lado.

cv3A “pinguela” pra chegar até a casa, no meio da floresta

cv2Enquanto fazia sol, só tranquilidade. Ja a noite batia um medinho…

Só não aprendi a conviver tão em harmonia com alguns animais que insistiam em nos visitar. É que a casa da árvore estava isolada 200 metros pra dentro da mata, naturalmente morcegos, saruês, lagartixas, mosquitos e ouriços se sentiam de casa e batiam o ponto por lá. Sorte que na mala tinha álcool suficiente para acalmar menino criado a leite e pêra da cidade, sorte que tinha uma Lua que iluminava o cerrado e sorte que não li direito as condições para ficar na comunidade, deixaria de conhecer um mundo tão bacana que existe dentro do nosso mundo, do nosso país.

cv7Comida rica, gostosa e colorida \0/

Não estávamos necessariamente perto do Parque, o que cria um altíssimo risco para minha pessoa: errar o caminho. Já me acostumei a viajar alguns quilômetros e depois perceber que sigo o caminho oposto ao destino esperado. Se você também sofre deste problema, um ombro amigo por aqui e uma dica bacana: independente pra onde você for, perto do parque você sempre encontrará alguma cachoeira para lavar a alma. Digo isso com conhecimento de causa 🙂

Após conferir mais uma vez o mapa, conseguimos chegar ao destino no dia seguinte, o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. A entrada não é paga e para chegar nas cachoeiras mais concorridas e altas é preciso canela: sempre caminhadas de mais de 10km. Pois vale cada passo. O visual vale, as cachoeiras de 90…120 metros de altura valem… a água realmente cristalina e gelada vale. Vale a canela!

cv4Cachoeira dentro do parque

Acreditando ou não nas energias que pairam por lá, a verdade é que chegamos com um caminhão de rotina em nossas costas e saímos leves, de corpo e alma em paz. Vale partir para uma visita ao desconhecido no interior brasileiro. Para conhecer Goiás e se conhecer um tanto mais.