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Histórias do Expressionismo


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Histórias do Expressionismo

Temas sombrios, mistério, personagens bizarros, ambiente urbano e uma dose extra de dramaticidade na atuação e na maquiagem. O Expressionismo alemão teve seu auge em Berlim, nos anos 1920. O cenário era o pós-guerra e as experiências traumáticas ainda estavam muito presentes. As causas políticas e sociais estão na base desse movimento que funcionou como reação à falência econômica do país com o fim da Primeira Guerra Mundial. A produção doméstica de filmes teve um aumento vertiginoso na Alemanha em função do banimento da exibição de obras estrangeiras, em 1916. Os filmes mudos alemães dos anos 1920 com temas inquietantes e cenários e figurinos exagerados estabeleceram algumas das bases de grandes gêneros do cinema moderno, como o filme de terror e o filme noir. Hoje a gente conta um pouquinho das influências que o Expressionismo alemão exerceu na história do cinema mundial.

O Gabinete do Doutor Caligari

Dirigido por Robert Wiene e escrito por Hans Janowitz e Carl Mayer, O Gabinete do Doutor Caligari é um marco do Expressionismo alemão. A obra de 1920 introduz elementos importantes no cinema, como o plot twist - aliás, impossível não fazer associações entre A ilha do Medo, de Martin Scorsese, obra de 2010 e o sonambulismo de Caligari - e a ideia de narrador não-confiável (que já estava presente na literatura em autores como Emily Brontë e Edgar Allan Poe). O filme compõe uma metáfora do olhar deformado, através de ruas entrecortadas e estreitas, linhas e estruturas em ziguezague, telhados góticos e cubistas, com a reflexão da alma dos protagonistas nessa irregularidade, fundindo forma e conteúdo. Dr. Caligari moldou o cinema fantástico, o cinema de terror e o filme noir e influenciou  diretores norte-americanos como David Lynch e Tim Burton. O Gabinete do Dr. Caligari foi a inspiração para a aparência grotesca do Pinguim, em Batman: o Retorno. O protagonista de Edward Mãos de Tesoura faz referência ao servo sonâmbulo de Caligari.  

Metrópolis

Em 1927, o diretor Fritz Lang propôs uma realidade urbana caótica para 2026 nesse clássico da ficção científica. O roteiro escrito por Thea von Harbou em parceria com Lang, seu marido, é baseado num livro de Thea. Nessa distopia, duas classes se dividem verticalmente: os aristocratas ficam acima da superfície e, abaixo, a classe operária faz as engrenagens girarem para manter a cidade de Metrópolis funcionando. Muito antes dos androides se tornaram comuns na cultura pop, Lang lança a ideia de um ser-máquina que décadas depois inspirou George Lucas com o androide C-3PO, de Star Wars. A ideia do cientista maluco ganha vida com Dr. Rotwang em Metrópolis e influencia o Professor Brown, do filme De volta para o futuro. O cenário futurista construído com elementos de Art Déco e Bauhaus também foi inspirador para o cinema contemporâneo, com influências na Gotham City, do Batman de Tim Burton, e no cenário de Blade Runner, de Ridley Scott.

Doutor Mabuse

Dr. Mabuse, o jogador é uma obra de 1922, também dirigida por Fritz Lang. O filme é baseado no personagem criado pelo escritor luxemburguês Norbert Jacques e foi adaptado para o cinema por Lang e a esposa, Thea von Harbou. Foi sucedido por O Testamento do Dr. Mabuse (1933) e Os Mil Olhos do Dr. Mabuse (1960). Com 4 horas de duração, o primeiro filme da sequência é dividido em duas partes, O Jogador e O Inferno do Crime, que são subdivididas em atos. Foi a primeira das cinco obras de Lang a serem incluídas no livro 1001 Filmes para Ver antes de Morrer. A compilação também recomenda: Metrópolis, M – O vampiro de Dusseldorf, O segredo da porta fechada e Os corruptos.

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