A Moda Contemporânea e os Novos Modelos de Consumo - "See Now, Buy Now!"

Que a moda está em constante evolução, consequentemente em busca de inovações para o setor, todos nós sabemos, afinal, é o “dever de casa” de nós designers. Porém, de um tempo para cá, essas mudanças vêm acontecendo cada vez mais rápido, influenciadas pela tecnologia no setor, e principalmente sob influência dos consumidores, cada vez mais sedentos por novidades e produtos diferenciados.

Se voltarmos no tempo, mais precisamente no final da década de 1940, nos deparamos com um fato histórico na moda, que revolucionou toda a cadeia produtiva do setor. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, a Europa e principalmente a França (pólo difusor de costumes no mundo ocidental), passavam por uma crise econômica, que já não sustentava o conceito de roupas feitas sob medida. Por sua vez, os Estados Unidos, seguros de sua moda casual, surgia no mercado com o sistema “prêta-à-porter”, que nada mais é que a moda reproduzida em grande escala e em menor tempo, utilizada por todo o mundo nos últimos anos.

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New Look Dior – Década de 1940

Por que dar essa volta no tempo? Com a evolução e o desenvolvimento do setor, juntos aos anseios por novidades vindos dos consumidores e a informatização acelerada, este conceito vem mudando novamente, e desta vez, consequentemente, mais rápido ainda. Em um tempo onde tudo acontece para ontem, as redes sociais interagindo constantemente em tempo real, a alternativa é adequar-se ao novo modelo. Essas transições existem para que haja um aperfeiçoamento do setor, uma evolução na cadeia produtiva, tornando o processo mais rápido e suprindo o desejo de consumo. É através de toda essa transição que surge termos contemporâneos como o “Fast Fashion” e a mais nova proposta de mercado, o “See Now, Buy Now!”, decorrentes de toda esta acelerada divulgação da moda, que abrange rapidamente um grande número de pessoas.

Mas o que é “Fast Fashion”, afinal? E esse tal de “See Now, Buy Now”? Vamos por parte! O termo “Fast Fashion” surgiu em meados da década de 1990, ganhou força nos anos 2000, e perdura até hoje. Utilizado para designar a renovação constante das peças comercializadas no varejo, ou seja, uma moda rápida e de fácil acesso. Antes disso, a cadeia era dividida em duas temporadas anuais, a primavera/verão e o outono/inverno, onde estilistas apresentavam suas coleções, que seriam produzidas em um tempo estimado de seis meses, para então serem vendidas. Com o surgimento do fast fashion, que já tem seus dias contados, além dessas duas coleções eram produzidas mini-coleções ao longo do ano, formando uma maior variedade e rotatividade de produtos no mercado.

Nas últimas temporadas internacionais surgiu o mais novo e comentado modelo, o “See Now, Buy Now!”, que pairou sobre as semanas de moda mundo a fora, e promete chegar de vez ao Brasil nesta próxima temporada. Este novo conceito implica em trazer para as araras as coleções desfiladas logo após as apresentações. Surpreendentemente ou não, um grande número de marcas famosas adotaram o novo modelo, que em meio a muitas críticas relacionadas ao tempo de produção, atenção à qualidade do produto, não tiveram outra opção.

Em entrevista ao site da Vogue, a estilista Miuccia Prada, uma das mais conceituadas da atualidade, responsável pelas famosas Prada e Miu Miu, não se diz tão favorável ao conceito, apesar de disponibilizar bolsas da Prada em suas lojas logo após o desfile de Inverno 2017. “Nós pensamos muito sobre isso, mas os jornalistas precisam ver a coleção, os compradores precisam comprá-la… Até o momento não conseguimos ver sentido para isso. Certamente, a nossa forma de trabalhar, com tecidos feitos por nós, que levam dois meses para serem criados, demoramos cerca de quatro meses para produzirmos toda a coleção até à chegada na loja. Você pode produzir tudo de qualquer maneira e segurar a divulgação até meses depois; fingir que acabou de ser feito; mas com uma coleção que você cria pelo coração – que tipo de entusiasmo que você pode ter de mostrá-la no desfile? Você vai congelá-la? É um pouco estranho.”

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Miuccia Prada

Estranho ou não, esta moda está pegando! No Brasil, o estilista Alexandre Herchcovitch apresentou uma coleção em parceria com a C&A no último dia 11 de abril, com direito a linha festa e vestido de noiva. No mesmo dia em que Herchcovitch apresentou o desfile, a coleção estava disponível no site da loja de departamento, e no dia seguinte nas principais lojas fixas. O mais curioso é que desta vez as ruas estão impondo seus desejos, não mais as marcas, consumidores ganharam voz e estabelecem o que desejam vestir, cada vez mais exigentes e com personalidade.

Coleção Alexandre Herchcovitch para C&A

Para as marcas pode não ser tão funcional, mas para quem deseja de cara uma peça de passarela, o novo modelo é bastante atrativo, e sem dúvida trará mudanças para a indústria da moda.

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