No salto alto! História e curiosidades sobre a elevação da elegância

Sapato! Objeto de desejo da maioria das mulheres! Mentira? Claro que não! (risos) Raramente ouve-se uma mulher dizer que não gosta de sapatos, e dentre eles, a grande preferência é o salto alto!

Se formos procurar quando e onde essas elevações da elegância surgiram, infelizmente não encontraríamos ao certo. Há indícios de que os primeiros modelos foram encontrados em uma tumba no Antigo Egito, datando 1.000 anos a.C. Acredita-se que o objeto era utilizado por pessoas com alta posição social, justamente para distingui-las da sociedade e evitar o contato com o solo, que na época era bastante sujo.

Assim como no Antigo Egito, outras civilizações, como a Grécia Antiga, usufruíam deste artefato no passado. Em suas tragédias, o dramaturgo Ésquilo inseriu saltos de diferentes tamanhos nos figurinos dos atores de suas peças, fazendo com que houvesse uma diferenciação clara das classes entre os personagens, que também eram designados de acordo com a posição social do ator. Da mesma forma que acontecia com outros povos, como no Japão, na Turquia e em alguns países da Europa, mais precisamente França e Inglaterra.

Além disso, outro fato curioso em relação aos saltos é que, ainda na antiguidade, despertavam desejos e fetiches, eram associados à sexualidade. No oriente, por exemplo, as cortesãs japonesas usavam tamancos com salto para seduzir os homens, bem como as concubinas chinesas e as odaliscas turcas, que eram obrigadas a usarem saltos que as impossibilitavam de fugir dos haréns. Em Roma, as prostitutas eram reconhecidas através dos saltos: as que sabiam se equilibrar melhor e em tamanhos maiores, obtinham mais clientes, e seus saltos chegavam a medir 30 cm.

Com o tempo, à medida que o uso do objeto crescia, foram sendo desenvolvidos outros tipos e estilos de calçados com salto. No período da Idade Moderna, a sensação do momento eram os “Chopines Italianos”, uma espécie de sandália com plataformas que chegavam a 45 cm, talvez o primeiro salto a ter enfeites e adornos. Ainda usado apenas pela elite, as mulheres da época se apoiavam em bengalas e bastões, ou até mesmo em seus criados, para se equilibrarem em cima dos saltos. Porém, foi Catarina Médici quem recebeu, através da história, o título de inventora do salto alto, devido a seu tamanho, ao casar-se com Henrique II, da França. Catarina foi a primeira mulher a usar salto neste tipo de ocasião, embora já usasse antes de seu casamento. Ao desembarcar em Paris, Catarina trazia consigo uma serie de sapatos com salto feitos por um artesão italiano, especialmente para ela, introduzindo então a moda do salto na aristocracia europeia.

Chopines Italiano – Datado do ano de 1550 (Em exposição no Metropolitan Museum of Art)

Apesar de a Europa ser uma das pioneiras no uso de sapatos de salto alto, foi nos Estados Unidos que desenvolveram a produção em massa. Em meados do século XIX, importados dos bordéis de Paris, os saltos ganhavam as ruas americanas, em função da grande propagação do calçado na França, onde prostitutas eram escolhidas a dedo, de acordo com a beleza de seus sapatos. Antes disso, não se pensavam em designers especializados, os calçados eram feitos por artesãos que mais tarde se tornariam os sapateiros. Mas foi através de uma família de colonos, do leste dos Estados Unidos, que surgiu a produção em grande escala, que mais a frente tornariam-se donos das primeiras lojas de calçados, exportando para o mundo todo, inclusive para a Europa. Apesar de todo o desenvolvimento adquirido pelos EUA, a Europa tinha o diferencial de produzir calçados feitos à mão, ricos em detalhes, conforto e exclusividade, o que tornava os calçados mais caros e únicos.

Modelo de Calçados do Século XIX

Com o tempo, a Europa passou a se destacar com surgimento da moda em países como Inglaterra, Itália e França, que consequentemente influenciavam no setor calçadista. Em 1858, é fundada por Charles Worth a indústria de calçados parisiense, na época o mais conceituado estilista do mundo, responsável por vestir toda a realeza da Europa. Assim como Worth, outros grandes grandes estilistas surgiram na época para que Paris se tornasse a capital mundial da moda, como por exemplo, Paquin, Chernit e Doucet, nomes que fizeram surgir a alta costura e que deram base para a moda que produzimos hoje.

Além deles, seus próprios assistentes, à medida que aprendiam o ofício da profissão, se destacavam e ganhavam cada vez mais espaço, como é o caso do Pinet. Recém chegado em Paris, em 1855, para trabalhar com Worth, Pinet foi responsável por desenvolver clássicos modelos da época, como o salto que recebeu seu próprio nome, um pouco mais fino e reto do que o popular salto Louis. Outro grande nome, talvez um dos mais importantes no setor calçadista, foi Pietro Yantorny. O estilista aprendeu a confeccionar calçados aos 12 anos de idade, tornando-se um dos estilistas mais disputados da época, com 20 clientes exclusivos, se auto denominando o mais caro estilista de sapatos do mundo.

**Modelo de Salto Louis **

Apesar da beleza, elegância e um número considerável de pessoas adeptas do salto alto, ainda havia uma herança deixada pelos séculos passados: muitos consideravam vulgar o fato de uma mulher mostrar suas extremidades. Além disso, com a chegada da Segunda Guerra Mundial, o clima pesado influenciou até mesmo a moda. As roupas mais sóbrias pediam saltos baixos e mais grossos, perdendo um pouco do glamour dos saltos finos. Com a economia mundial abalada, o racionamento de tecidos e consequentemente do couro, fez com que estilistas desenvolvessem outros materiais para suprir a produção. Neste momento, entra em cena o renomado estilista Salvatore Ferragamo, com o icônico modelo de salto anabela em cortiça, febre na década de 1930 e muito copiado por outros estilistas. Devido ao sucesso, Ferragamo exportava boa parte de sua produção para os EUA, onde ficou conhecido como o estilista de sapatos das estrelas.

Salvatore Ferragamo – Estilista de Sapatos

No início da década de 1960, com o preço do couro em alta e o avanço da tecnologia, os tecidos sintéticos começaram a surgir através de nomes como Vivier, Hebert Levine e Miller, especialista e pioneiros na utilização do plástico transparente. Logo em seguida, com o lançamento da disco music na década de 70, os calçados são novamente repaginados! Sob influência das discotecas, os calçados recebem uma boa dosagem de exagero, botas de cano alto passam a ser objeto de desejo, ganham plataformas altíssimas, cores vibrantes e uma pitada de futurismo, que mais tarde serviram de inspiração para a próxima década. Os anos 80 surgem com um turbilhão de cores e informações. Neste período, os saltos ganharam inúmeros modelos, estilos, tamanhos, materiais, cores e adornos, muitos adornos! Conhecida como a década do exagero, tecidos com brilho e cores neon eram a onda do momento, meias de lurex eram usadas com sandálias de todos os tipos, o grande lance era chamar atenção.

Sapato da Década de 1970

Sandália com meia de Lurex – Década de 1980

Agora entende-se porque os saltos são os queridinhos das mulheres! Presente em praticamente todos os momentos históricos da humanidade, o objeto de desejo do vestuário feminino mexe com o imaginário de muita gente, e a cada ano que passa surgem novos modelos e estilos. Estilistas renomados como Christian Louboutin, Jean Paul Gaultier e grifes como Gucci, Chanel, Dior, Givenchy e a própria Salvatore Ferragamo, são excelências no assunto. Com calçados que variam desde couro, passando por acabamentos de ouro e bordados com pedrarias raras, esses queridinhos chegam a custar uma fortuna. O sapato de salto mais caro do mundo, por exemplo, de Rita Hayworth Heels, custa uma bagatela de 3,94 milhões de dólares, cravejado com pedras preciosas como rubi e diamantes de variados tamanhos.

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Sapato de Rita Hayworth Heels – O mais caro do mundo!

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