Melhores livros de 2016 que vão estar sempre entre os melhores

Melhores livros de 2016, acaba o ano, e o que ficam são aqueles vários livros comprados e não lidos.

Para quem estabeleceu metas de leitura, fiz essa lista de melhores livros de 2016, a fim de dividir as grandes e boas experiências literárias que tive no último ano.

É complicado conseguir selecionar as melhores leituras de um ano. Em um 2016 marcado por boas opções literárias, vou optar só por três. É óbvio que é uma lista pessoal, e escolhi falar de poucos e bons livros que acredito que perpetuarão pelas listas de melhores opções por anos. Escolhi livros de temas distintos, com formas completamente diferentes de narrativa.

Além de falar dessas maravilhas, a lista serve também de ajuda pra quem anda procurando coisas novas pra ler.

Essa lista de melhores livros de 2016 não inclui outras obras que eu li e gostei, como “O Sumiço”, de Georges Perec, o chocante e pueril “Como se estivéssemos em palimpsesto de putas”, de Elvira Vigna, e o maravilhoso “História do novo sobrenome”, segundo volume da tetralogia de Elena Ferrante.

Pra quem ainda não encontrou o amor literário de 2016, indico também a autora Svetlana Alexievich; o livro “Destinos e Fúrias”, da Lauren Groff; “Mr. Mercedes”, do Stephen King, e “Syfy” do John Scalzi.

Assim, damos início a uma lista de melhores livros de 2016 que tem a minha cara! Espero que gostem das minhas indicações e curtam as leituras.

“O enclausurado”** – Ian MacEwan**

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“Então aqui estou, de cabeça para baixo, dentro de uma mulher. Braços cruzados pacientemente esperando, esperando, esperando e me perguntando dentro de quem estou, o que me aguarda”

Essa é a fala do protagonista nas primeiras linhas do livro.

O livro é narrado sob a perspectiva de um feto na barriga da mãe. A história segue dessa forma nonsense durante todo o seu desenrolar, na qual o feto escuta todas as conversas da mãe com o tio, amante da mãe.

Com uma evidente inspiração em Shakespeare, Trudy (mãe do feto) segue como uma Macbeth do novo século, conspirando com seu amante formas de se livrar do marido, um poeta apaixonado e resiliente.

Enquanto isso, o feto tem acesso a todas as tramoias planejadas pelos dois. Ainda com seu senso de justiça e avaliação “pouco” desenvolvidos, faz reflexões profundas sobre seus sentimentos de culpa e as ligações biológicas impositivas que mantêm com a mãe.

É uma joia do humor e da narrativa fantástica. Em sua aparente simplicidade, “O enclausurado” é uma amostra sintética e divertida do impressionante domínio narrativo de McEwan, um dos maiores escritores da atualidade.

A ideia de dar voz ao feto, veio de uma conversa com a nora de McEwan, que estava grávida. A presença constante e silenciosa de um bebê chamou muito a atenção do escritor, que logo pensou que mesmo dentro da barriga, talvez tivesse acesso às conversas íntimas que aconteceram naquele dia.

O livro tem uma temática brilhante, que de início se afasta da realidade pela extrema fantasia que utiliza, mas que se aproxima ao decorrer da narrativa, através da tamanha destreza do autor em contar a história por uma nova perspectiva.

O feto é narrador-observador, e como se visualizasse uma película cinematográfica, dá detalhes muito concisos de sua movimentação na barriga da mãe, até de como se esgueira do pênis do tio durante os atos sexuais.

O autor dá ao protagonista, através dos programas de notícias e podcasts que a mãe escuta, conhecimento sobre os acontecimentos do mundo e material para que ele possa refletir sobre as ações da mãe e do tio. Com isso, discorre sobre os acontecimentos do mundo, crise de imigrantes na europa, políticas internacionais…

Apesar do tema sério e da trama, na qual o feto tem acesso involuntário às armações e conspirações para o assassinato de seu pai, a narrativa do livro se estabelece de forma cômica e leve.

Não só isso, desenvolve-se com o protagonista um gosto musical, um paladar sofisticado e um conhecimento intermediário sobre vinhos. É daí, do inesperado, como tudo que acontece no livro, que nasce a nossa empatia pelo narrador.

É o tipo de livro que faz até os mais tímidos puxarem conversa na livraria.

Leia esse aí, é muito bom!

“Viva a Língua Brasileira!”** – Sérgio Rodrigues**

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Para o autor, Sérgio Rodrigues, os debates travados a respeito do uso da Língua Portuguesa são meio chatos. Parecem até um “diálogo de surdos”, escreve o jornalista e romancista mineiro, na introdução de seu livro *“Viva a língua brasileira!”*. A obra tem belas ilustrações de Francisco Horta Maranhão, e traz verbetes lúdicos e um olhar muito próprio do autor ao tratar do Português falado no Brasil. O livro traz dicas, tira dúvidas gramaticais, e tenta desfazer mitos expondo erros comuns. Não esquece também de tocar nos desafios que o idioma enfrenta na atualidade. No decorrer, o autor lembra das polêmicas que envolveram [*preconceito linguístico*](https://pt.wikipedia.org/wiki/Preconceito_lingu%C3%ADstico) após o lançamento do livro didático de 2011, em que houve presença de variações da língua (*“nós pega o peixe”*, *“os menino pega o peixe”)* de forma inclusiva, avaliando como positiva a utilização no dia a dia. Tentando desviar da polêmica sobre o distanciamento do padrão, ele faz uma declaração de amor à Língua Portuguesa, demonstrando o pensamento de que só ela pode nos salvar da intolerância. O livro percorre da historicidade da língua até a sua utilização. Fala da diferenciação *lusófona* e *brasileira*, e ironiza algumas opções linguísticas que já geraram embates até entre os mais cultos.

O título é uma homenagem a “Viva o povo brasileiro”, romance histórico de João Ubaldo Ribeiro, que fala do nascimento da identidade cultural da população.

Tatiana Salem Levy, da Revista Valor, citou:

“Depois de quinze anos de trabalho como consultor linguístico na grande imprensa, Sérgio decidiu reunir as dúvidas mais comuns e apresentar ao leitor um estudo que é muito mais do que uma escolha entre o certo e o errado… Mais do que corrigir o leitor, sua intenção é fazê-lo se apaixonar pela sua própria língua, pensar sobre ela, viajar pela sua história.”

O livro é uma declaração de amor a Língua Portuguesa e tudo o que se relaciona a ela. Mistura prosa, poemas e artigos, dissertando sobre pontos muito sensíveis de quem estuda a língua.

Indico esse livro porque acredito nessa metalinguagem que o cerca. Gosto da sua potência “multidiscursável” (já tô até inventando palavras!) e inspiradora.

Tem uma linguagem atraente, e pode ser lido aos poucos e não-linearmente, a característica que eu mais adoro. Não podia faltar nessa lista de melhores livros de 2016 , bom demais!

 

41 Inícios Falsos”** – Janet Malcolm**

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Este livro da jornalista norte-americana, Janet Malcolm, tem uma mistura de reportagem, crítica especializada e biografia, com uma leve pegada de romance realista contemporâneo. Curtiu a mistura?  Essa é a marca da autora, considerada por muitos uma das maiores autoras de não-ficção de nossos tempos.

A obra é uma coletânea de ensaios de várias décadas, produzidos pela autora em seus períodos de trabalho em publicações na New Yorker, na New York Review of Books e outros.

A jornalista segue a ideia de ser impossível compreender um entrevistado, ou adquirir um determinado perfil, sem que se conviva com ele. Dessa forma, Janet vem inspirando diversas gerações de futuros jornalistas, convidando-os à subversão das convenções e formalidades dos textos não-ficcionais.

Seu trabalho já busca essa ruptura, indo no sentido contrário. A jornalista é sensível às sutilezas e detalhes que o observado lhe apresenta, oferecendo sempre uma visão alternativa para surpreender o leitor.

Os textos refletem o interesse da autora por artes e pelo ofício criativo. Seus personagens favoritos são artistas em geral e escritores. Em “41 Inícios Falsos”, além de serem abordadas todas as questões que normalmente configuram suas obras, também aponta-se para uma interação da autora, Janet Malcolm, que está interessada em investigar as ações que dão início à produção criativa.

Para tanto, ela visitou personagens de diversas áreas criativas, na intenção de captar os espaços e as interações que tornam possíveis a produção de arte.

O livro, para mim, é uma das maiores enciclopédias de produção artística atuais! É de alvoroçar qualquer pessoa.
Se arte é o seu tema, leia sem parar!

Saiu todo inspirado desse texto? Então vamos passar essas ideias pro papel nos nossos lindíssimos sketchbooks.**

Pra quem curte um bom livro, vem dar uma olhada nos produtos da categoria literatura na Chico Rei.**

Não concorda com a lista? Gostou de mais livros esse ano?

Comenta aí, vamos trocar informações e indicações.

Um abração!